Simone Leite.

Simone Leite é candidata do PP ao Senado pelo Rio Grande do Sul, mas também uma boa ilustração da dificuldade de transpor para a realidade política o discurso do movimento Rio Grande do Sim, lançado há dois anos pela ADVB e abraçado com entusiasmo pelas entidades empresariais do estado. 

Não houve nenhum anúncio mais explícito nesse sentido, mas quem acompanha o horário eleitoral (meus parabéns pelo civismo) sabe que Simone é a única candidata a fazer um discurso alinhado com o movimento, a começar pela repetição meio incessante da palavra “sim”.

Simone chegou a viajar pelo interior do estado fazendo palestras sobre o Rio Grande do Sim como vice-presidente de Integração da Federasul.

“Minha candidatura visa deixar para trás o ranço, um estado dividido entre ideias radicais e trazer uma postura mais propositiva, mais empreendedora”, resume Simone, que falou no Tá na Mesa da Federasul desta quarta-feira, 03.

Acontece que as posturas antagônicas e irreconciliáveis entre si, que muitos já convencionaram chamar de “grenalização do estado” vão muito bem quando o assunto é a preferência do eleitor gaúcho.

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada em 19 de agosto (antes por tanto do acidente do candidato Eduardo Campos) os candidatos líderes na disputa para o Senado no Rio Grande do Sul eram Lasier Martins (PDT), com 29% e Olívio Dutra (PT), com 26%. 

Lasier e Olívio tem se engalfinhado em debates sobre a decisão da Ford de abandonar a construção de uma fábrica em Guaíba durante o governo do petista em 1999, no tipo de discussão feroz, mas sem perspectiva de acordo ou mesmo maior propósito que encaixa na definição de “ranço” de Simone ou de “grenalização” do Rio Grande do Sim.

(O movimento, aliás, parece ter perdido o gás. No final do ano passado, representantes do Rio Grande do Sim disseram estar preparando uma agenda de propostas, com metas e indicadores a serem seguidos. De novo, nada foi dito de mais explícito nesse sentido, mas o timing parecia perfeito para uma campanha de lobby com os candidatos, o que aparentemente não aconteceu).

Simone, que nessa pesquisa tem 2% a mesma cifra de Júlio Flores, do nanico de extrema esquerda PSTU, diz confiar que o debate agressivo entre Olívio e Lasier abra espaço para uma candidatura “menos polarizante”, nos moldes do que está acontecendo em plano nacional com Marina da Silva.

“Eu posso garantir que meu plano não é ir para o Senado para me aposentar”, provoca a candidata, em um raro caso de crítica eleitoral que pode ser aplicada no atacado. 

Tanto Lasier quando Olívio já são homens de meia idade, o primeiro se candidatando depois de décadas como jornalista da RBS e o segundo trazido de volta da aposentadoria pelo PT como uma forma de combater o favoritismo do primeiro. 

A crítica vale também para Pedro Simon, 85 anos, que inclusive já havia anunciado sua aposentadoria da política e retorno depois de Beto Albuquerque ter assumido a vaga de vice na chapa de Marina.

A eleição de Simone para o Senado é uma perspectiva distante, mas isso não significa que a empresária, dona da Urano, seja uma carta fora do baralho. 

Simone foi secretaria de desenvolvimento em Canoas, cidade da região metropolitana que é o segundo PIB do estado e Ana Amélia Lemos (PP), apontada como líder nas pesquisas para o governo do Rio Grande do Sul, poderá ter seu nome em conta na formação do seu secretariado.