Sartori diz que aumentar impostos é a única saída. Foto: divulgação/Piratini.

A imensa maioria dos eleitores gaúchos (91,7%) é contra a aprovação do aumento das alíquotas do ICMS pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prevista para ir a votação no dia 22 de setembro.

É o que aponta uma pesquisa encomendada pela Fiergs ao Instituto Methodus. 

Os entrevistados afirmaram que a elevação da alíquota não resolverá a crise financeira do estado (73,2%) e ampliará o desemprego (88,3%). 

“O aumento do imposto não é uma questão empresarial. O cidadão tem plena consciência do impacto negativo sobre toda a economia”, afirmou o presidente da Fiergs, Heitor José Müller. 

A pesquisa mostra um cidadão bem informado sobre temática econômica - ou bem orientado pelos pesquisadores.

Conforme o resultado, os impactos da elevação do ICMS para solucionar os problemas financeiros do estado são de conhecimento de 73,5% dos gaúchos. 

De acordo com os entrevistados, a medida não estimulará o crescimento da economia estadual (75,5%). Pelo contrário, diminuirá a atividade econômica (73,8%), provocará a perda de competitividade das empresas (75,6%) e o avanço da inflação (86%). 

Foram ouvidas 1 mil pessoas, de diferentes classes sociais, de ambos os sexos, acima de 16 anos e eleitores em 20 municípios gaúchos. A margem de erro da amostragem é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos. 

Resta saber que impacto a reprovação popular terá em mais uma tentativa de aumentar a carga tributária no Rio Grande do Sul.

O projeto atual prevê entre outras medidas, a elevação da alíquota básica do ICMS de 17% para 18% e o aumento das alíquotas, de 25% para 30% da gasolina, do álcool, das telecomunicações, da energia elétrica comercial e residencial acima de 50 KW.

Em 2006, Yeda Crusius (PSDB), que assim como Sartori, havia prometido não aumentar impostos, tentou passar um projeto de incremento tarifário antes mesmo de assumir o governo. O projeto não passou na Assembleia em duas ocasiões.

O ambiente agora, no entanto, parece bem mais propício ao que o governo do estado está vendendo como a única saída possível para uma calamidade financeira que já levou ao pagamento parcelado do funcionalismo por dois meses seguidos (no último deles, pagando uma parcela inicial de R$ 600), o que, por sua parte, desatou greves e um clima de insegurança nas ruas por falta de policiamento.

Os deputados, inclusive da base aliada, parecem reticentes em aprovar a medida. Um levantamento feito pela Zero Hora no final de agosto mostrou que 34 deputados deles (61,8% do total) se posicionavam contra o aumento.

Apenas sete parlamentares disseram que pretendem votar a favor do aumento (seis deles do  PMDB de Sartori). Outros 14 restantes ainda não têm posição definida ou não se manifestaram.

Não é uma situação irreversível: com a deterioração do quatro no estado, os indecisos podem se inclinar por votar a favor. Além disso, o governo estaria pensando em enviar secretários que foram eleitos deputados estaduais de volta à Assembleia, tirando de cena suplentes recalcitrantes.