Marcelo Landi, presidente da Autodesk no Brasil. Foto: Baguete.

A Autodesk conseguiu diversificar seu perfil de vendas no Brasil, fugindo da tradicional dependência do Autocad, software CAD 3D de projeto, desenho, modelagem, desenho arquitetônico e engenharia que era quase sinônimo da empresa por aqui.

No ano fiscal de 2015, encerrado em fevereiro, a venda de licenças do Autocad representou pela primeira vez menos de 50% da receita da Autodesk no Brasil. Há cerca de dois anos, esse número estava em 80%.

O ano passado foi o melhor para a Autodesk no país em termos de receita, com crescimento de 29% no faturamento. 

A empresa não divulga valores conquistados no Brasil, mas o ritmo de crescimento é bem acima da média. Globalmente, a Autodesk faturou US$ 2,5 bilhões no ano passado, uma alta de 18% em relação ao ano anterior.

"Em outras partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos, as pessoas conhecem a Autodesk e muitas vezes associam a marca aos filmes que usam soluções da empresa, como Avatar, mas no Brasil ainda há uma relação muito forte com o nome Autocad", relata Marcelo Landi, presidente da empresa no Brasil.

A estratégia da empresa no Brasil, segundo Landi, é focar na expansão de soluções BIM e atuar na área consultiva.

O executivo, ex-country manager no Brasil da Citrix, vem colocando essas mudanças em prática desde a sua contratação, em 2013. 

Além disso, no Brasil a empresa segue trabalhando para expandir sua atuação em regiões fora do eixo Rio-São Paulo.

Em 2014, 60% do faturamento da empresa veio de outras regiões. Há cerca de dois anos, esse índice ficava em aproximadamente 20%.

Parte desse crescimento veio de empresas como a Brasoftware, canal da Autodesk. Até o ano passado, a companhia era credenciada para atuar somente em São Paulo. Agora, a revenda representa a marca também em Brasília e na região nordeste. 

Em 2014, as soluções Autodesk representaram 22% do resultado das linhas de produtos comercializados pela Brasoftware, que trabalha também com empresas como Adobe, Symantec, McAfee e Citrix.

De maneira geral, a Autodesk tem apostando cada vez mais em entregar software pela nuvem e em modelo de assinatura, com uma ousadia que a separa dos demais players do mercado de CAD, onde reina uma abordagem mais tradicional em relação a esse tema.

Nesta quinta-feira, 03, por exemplo, a Autodesk anunciou que a partir de 31 de julho de 2016, novas licenças comerciais da maioria das suites de design e criação e produtos individuais estarão disponíveis apenas no modelo de assinatura, acabando com as vendas de licenças perpétuas. 

A subscrição, ou aluguel de software, oferece a capacidade de “pay-as-you-go” para os produtos da Autodesk e serviços em nuvem com termos anuais, trimestrais ou mensais.

* Júlia Merker viajou a São Paulo para o Autodesk University a convite da Autodesk.