O futuro da IBM está em jogo. Foto: http://www.ibminsightphotos.com/

O jogo anda complicado para a IBM. A centenária empresa de TI está encontrando dificuldades para migrar seu sistema tático da venda de hardware para softwares e serviços. Parte das esperanças de mudar o jogo caem agora sobre um jovem ponta de lança chamado Watson.

Foi o recado que ficou do IBM Insight, conferência em Las Vegas na semana passada, tirando as metáforas de futebol, que são obra da reportagem.

O fato é que a plataforma de computação cognitiva com a qual os usuários podem interagir usando linguagem natural, é o grande diferenciador no momento da oferta de softwares de big data, análise de dados e business intelligence da IBM.

Mas, para conseguir com que a solução emplaque, a IBM precisa construir um universo de aplicações de negócios que usem a tecnologia, parte das quais já apareceram no IBM Insight.

O Bradesco, o segundo maior banco do Brasil, é o primeiro cliente no país da plataforma, junto com um grupo pioneiros em todo mundo, a maioria bancos, incluindo também o mexicano Banorte, a financeira sul africana MMI, a espanhola Caixa, a multinacional francesa de farmacéutica Sanofi, entre outros.

A aspiração final é fazer o Watson o equivalente a um sistema operacional para software que consegue trabalhar com grandes volumes de dados e oferecer hipóteses com as quais os clientes possam trabalhar.

Um dos cases mais avançados é o do Memorial Sloan Kettering, um hospital de ponta no tratamento de câncer nos Estados Unidos, no qual os médicos pesquisam através do Watson em um banco de dados aberto de milhares de jornais acadêmicos e pesquisas científicas para compor o seu tratamento.

Num exemplo mais trivial e acessível, a tecnologia está sendo usada pela revista americana Bon Appettit, dona de um acervo de 9 mil receitas. 

Com o Watson, leitores da revista podem obter sugestões de novas receitas, nas quais o software combina novos ingredientes com base em avaliações prévias.

(A essa altura do campeonato é impossível para o repórter deixar de notar que o Watson é uma espécie de neto bonzinho do HAL 9000 de Uma Odisséia no Espaço, mostrando uma outra dimensão dos dons de aparentemente inesgotáveis do diretor Stanley Kubrick).

A meta da IBM é envolver mais parceiros que possam criar soluções específicas. A divisão Watson, lançada com um grau de autonomia inédito na organização, já somou 100 parceiros desde o começo do ano (nenhum deles na América Latina).

Do US$ 1 bilhão investidos pela multinacional na iniciativa, 10% foram para fomentar esse ecossistema.

A empresa também está em colaboração com oito universidades nos Estados Unidos em projetos ligados ao Watson. A meta é chegar a 100 em nível global até o final de 2015. 

E o quanto a IBM precisa que o Watson dê certo? Aparentemente, muito. A empresa engrenou uma série de trimestres de resultados ruins, incluindo o último, quando as vendas de US$ 22,4 bilhões geraram lucro de US$ 3,5 bilhões, uma queda de 17%.

A área de business analytics, no entanto, teve incremento de receita de 8%, com 50% nas vendas de cloud e a de mobilidade mais de 100%.

* Maurício Renner viajou a Las Vegas para o IBM Insight a convite da IBM.