Órgão tem 6 mil estações de trabalho. Foto: Érika M Nunes/TJPA.

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O Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) contratou a Trend Micro, multinacional especializada em cibersegurança, para proteger os servidores on-premise e as estações de trabalho do órgão.

Ao todo, estão sendo implementadas 6 mil licenças do Smart Protection for Endpoints (SPE) e 350 da ferramenta Deep Security, que tem um conjunto de controles de segurança para servidores e ambientes híbridos.

O TJ-PA já estava em alerta após os ataques ao STJ e ao TJ-RS e tinha planos para investir na área de segurança, mas a “gota d'água" foi um incidente doméstico em uma aplicação legada: uma pichação numa página secundária, que não é visível aos usuários.

“O Tribunal de Justiça é um ambiente muito crítico, a gente não tem condição de perder informações, dados, arquivos, processos. Eu vi a tensão dos profissionais na época do ataque ao STJ, ali era um campo de guerra, e a gente quer evitar isso”, explica Arilson Galdino da Silva, coordenador de suporte técnico do tribunal.

Agora, as soluções da Trend Micro estão protegendo toda a nuvem on-premise, o data center do TJ-PA, o que inclui a infraestrutura de servidores virtualizados de aplicação, banco de dados, Proxy e 6 mil estações de trabalho.

“A parceria trouxe confiança, resultados e principalmente visibilidade, o que não tínhamos antes, não sabíamos se estávamos sendo atacados ou não. Agora, eu durmo mais tranquilo porque recebemos alertas, temos informações sobre arquivos bloqueados e atualizações necessárias”, afirma Silva.

Após a implantação, o órgão já identificou uma vulnerabilidade de forma lateral por conta de um alerta de anomalia num dispositivo da rede que apresentava características diferentes. Os profissionais verificaram que era um incidente de ransomware e conseguiram atuar por meio da sinalização da plataforma.

“Somos um dos cinco países mais atacados por ransomware, que tem focado especialmente no setor público exatamente pelos baixos investimentos. Ao aumentar a proteção em multicamadas e profissionalizar a gestão de seus ativos, o TJ-PA está ficando um passo à frente dos cibercriminosos”, afirma Renato Tocaxelli, gerente de contas de governo da Trend Micro.

Fundada em 1989 nos Estado Unidos, a Trend Micro tem sede em Tóquio, no Japão, e faturamento de US$ 1,53 bilhão. Presente em 65 países, a companhia conta com mais de 7 mil colaboradores.

Diferentes instâncias do judiciário vem sofrendo ataques cibernéticos nos últimos meses, assim como algumas das maiores empresas do país.

Em outubro, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, sofreu uma invasão da sua infraestrutura tecnológica.

Já o Supremo Tribunal Federal (STF), órgão máximo do Poder Judiciário, retirou seu site do ar após ter identificado um acesso “fora do padrão”  em maio.

Em novembro de 2020, hackers atacaram e criptografaram mais de 1,2 mil máquinas virtuais do Superior Tribunal de Justiça (STJ), outro tribunal superior, além de destruir seus backups, com um ransomware chamado RansomEXX. 

A correção do problema no STJ durou mais de uma semana, envolvendo equipes do STJ, Microsoft, Atos e Serpro.

Um dos ataques com consequências mais duradouras foi no TJ-RS, em abril deste ano, com a consequência de perda de dados dos servidores nos seus computadores de trabalho, além de dificuldades que duraram meses no uso dos sistemas, resultando inclusive em suspensão de prazos processuais.