Apps, ajuda ou ameaça? Foto: divulgação.

Vistos por alguns como o futuro para o transporte por táxi, os apps se tornaram uma ameaça aos olhos de cooperativas de rádio táxi de diversas cidades no país.

Pelo menos, é o que se pode deduzir da movimentação de algumas dessas empresas em cidades como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba no sentindo de bloquear a expansão do uso de aplicações como EasyTaxi, TaxiJá e SaferTaxi, entre outras.

No Rio de Janeiro, segundo informa a imprensa local, as cooperativas estão estudando entrar na Justiça contra os apps, aos quais acusam de concorrência desleal.

Em Porto Alegre, a reportagem do Baguete averiguou que taxistas filiados a cooperativas teriam recebido avisos afirmando que seria ilegal usar apps e a rádio ao mesmo tempo, o que é uma prática cada vez mais disseminada.

O exemplo mais evidente se deu em Curitiba, onde a Urbs, empresa responsável pelo transporte urbano local, puniu seis taxistas por atenderem a chamados de clientes via aplicativo de celular.

De acordo com a Urbs, estes softwares pelos quais os usuários podem usar o GPS para encontrar a solicitar taxistas nas proximidades são irregulares.

Para explicar a decisão, a Urbs declarou que apps precisam ser regularizados pelo decreto 174, de 2006, que rege as operações de cooperativas de táxi normais.

No caso dos aplicativos, a entidade diz que não há garantia para a segurança do passageiro, pois não se sabe se o app aceita taxistas não licenciados.

Taxistas da capital paranaense acreditam que a medida tem a ver com lobby das cooperativas de táxi, já que os aplicativos são gratuitos, pelo menos agora, enquanto as companhias da área estão gastando dinheiro de investidores para ganhar marketshare.

Em contraponto, a filiação às radiotáxis, um modelo de negócios bem mais tradicional, é paga por meio de mensalidades de uso de serviço e comissões sobre as notas fiscais de empresas clientes de uma ou outra cooperativa.

Os desenvolvedores de apps, logicamente, apontam que as acusações de ilegalidade não procedem.

Segundo Talita Lombardi, general manager da SaferTaxi no Brasil, a maioria dos apps dedicados a este segmento trabalham dentro da legislação nacional.

"Apenas cadastramos taxistas que estão em dia com seus registros. Fazemos a verificação e exigimos o envio de documentação de cada motorista. A segurança dos passageiros também é uma preocupação", destaca a executiva.

Quanto à regulamentação dos apps dentro das cidades, Talita afirma que a empresa ainda está discutindo a abordagem legal a ser tomada, caso tenha complicações nas cidades onde atua - São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Curitiba e Salvador.

No entanto, à parte desta discussão, a executiva acredita que os apps e cooperativas podem encontrar um terreno comum para trabalhar, coexistindo e colaborando. No entanto, mesmo com os esforços de levar a aplicação para dentro de empresas de táxi, a resistência é grande.

Ela cita um exemplo em São Paulo, onde a SaferTaxi firmou uma parceria com uma cooperativa de porte médio - cerca de cem carros - onde a aplicação é usada como complemento para o sistema de agendamentos de corridas para clientes corporativos.

"Embora o modelo de cooperativas, que tem suas tarifas fixas, ainda é rentável, acredito que os apps chegaram para ficar. Estas empresas precisam se adaptar a estas novas tecnologias", afirma Talita.

Pelo menos até agora, quem tem o maior problema de rentabilidade são as empresas de apps, não os rádiotaxis. 

Os apps ussados no Brasil ainda possuem operações deficitárias, rodando seus negócios com base em aportes de investidores locais e de fora vistos por poucas empresas startups no país: recentemente empresas como EasyTaxi e TaxiJá levaram aportes de R$ 15 milhões e R$ 10 milhões.

De acordo com Talita, taxistas indepententes operando fora das cooperativas sempre existiram, e eles podem ser bastante beneficiados com os apps, mas no Brasil, este grupo é uma minoria. Dados do setor apontam que cerca de 80% dos motoristas de taxi são funcionários.

E quanto ao cabo de guerra entre tecnologia e o bom e velho rádio taxi, a executiva aposta na segunda opção, e ela não se baseia apenas no produto que ela oferece.

"Falam que apps como o nosso vão matar as cooperativas, mas eu não acredito nisso. Não precisa haver uma rivalidade. Se encararmos assim, exisite uma concorrência ainda mais forte, para eles e para nós, que são apps de carona como o Uber", finaliza.