Embaixador Mário Vilalva foi barrado nos escritórios da agência que comanda. Foto: APEX.

Dois diretores da Apex, agência de promoção de exportações do governo federal, realizaram o sonho de muitos e colocaram duas portas de vidro temperado com controle de acesso entre eles e o seu chefe.

A bizarra história, uma mais de uma agência que é um dos centros de confusão do governo Jair Bolsonaro (PSL), foi revelada pelo jornal O Globo.

De acordo com a publicação carioca, o diretor de Gestão Corporativa, Márcio Coimbra, e a diretora de Negócios, Letícia Catelani, mandaram instalar as portas, pelos quais eles controlam quem tem acesso à ala na qual ficam seus escritórios, incluindo o atual presidente da Apex, embaixador Mário Vilalva.

Segundo funcionários da agência ouvidos pelo Globo, até o presidente da Apex precisa de aprovação para passar pelo local. 

Pelo Twitter, Letícia Catelani rebateu a matéria do Globo, dizendo que a mesma "não corresponde à realidade".

"Em momento algum solicitei a instalação de qlqr forma de controle de acesso, como portas ou divisórias ou determinei mudanças no ambiente físico da Apex. Criar espantalhos e espalhar FAKENEWS p/ atacar o governo está desmoralizando a mídia", afirmou Catelani.

A instalação das portas teria ocorrido depois da publicação de uma portaria feita por Vilalva que diminuiu os poderes e atribuições de Catelani e Coimbra. A portaria tirou dos dois o poder de decidir sobre “contratação e dispensa de pessoal” e também de “representar a Apex em juízo ou fora dele”. 

Além disso, os dois não podem mais prover cargos comissionados e funções de confiança dentro da agência, segundo revelou recentemente o Estado de São Paulo.

Vilalva teria tomado a decisão depois que os dois diretores se recusaram a cumprir suas ordens na organização de um estande na Milan Design Week 2019, que vai ser realizado este mês, na Itália.

Em nota enviada ao Globo, Vilalva disse que “foi surpreendido pela instalação da porta”. Os dois diretores estão com Bolsonaro em Israel, em uma missão do governo e devem dar explicações na volta.

Neste momento, aguarda o retorno, ao Brasil, dos diretores Márcio Coimbra e Letícia Catelani, aos quais demandará justificativas sobre a instalação dessa porta”. Os dois diretores acompanharam o presidente Jair Bolsonaro na viagem a Israel.

Um funcionário contou ao Globo que a presidência e as diretorias funcionam no 18º andar e saindo do elevador agora há uma divisória de blindex. No lado esquerdo fica a presidência e, à direita, uma sala de reuniões e as diretorias. 

Segundo esse funcionário, entre a sala de reuniões e os gabinetes dos diretores foi instalada uma segunda porta de blindex com controle de acesso, pela qual só passa quem estiver em uma lista elaborada pessoalmente pela diretora.

A Apex tem se tornado um centro de crises que misturam amadorismo e disputa por poder, em um governo repleto de amadorismo e disputa por poder.

Vilalva assumiu a Apex depois da saída de Alecxandro Carreiro, que foi demitido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em janeiro. 

Carreiro ficou pouco mais de uma semana no cargo e também teve desentendimentos com Letícia Catelani.

Na época, Carreiro demitiu 17 funcionários e nomeou 11 e já tinha acertado a contratação de outros dez. 

Causou mal-estar dentro da agência o fato de que Carreiro não era fluente em inglês, o que é uma exigência do estatuto da própria Apex, e, bem, meio o que se espera de quem quer trabalhar com promoção de exportações.

Depois de demitido por Araújo, Carreiro se negou a sair do cargo, o que só fez quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou a sua saída.

O caos na Apex eventualmente pode respingar no setor de TI. A Softex, outra agência semi estatal, focada na promoção do setor de software brasileiro, realiza ações em conjunto com a Apex, incluindo o Projeto Setorial Brasil IT+, que já levou mais de 250 para participar de uma série de eventos no exterior.