A JBS fechou um acordo de locação de ativos da gaúcha Frangosul, controlada pelo grupo francês Doux.

O valor da transação não foi divulgado.

O acordo dá à JBS poder de operação da Frangosul, mas não repassa à companhia qualquer pendência, encargo, constrição, penhora e impedimentos de qualquer outra natureza, segundo comunicado divulgado à imprensa.

O material informa também que a JBS irá manter a operação da Frangosul, contratando seis mil colaboradores diretos, além de continuar os contratos com integrados e terceiros prestadores de serviço, o que soma em torno de 1,5 mil produtores.

A compradora já atua no mercado internacional de aves pela marca Pilgrim's, em 12 estados americanos, México e Porto Rico, e com a Doux Frangosul passa a atender também ao mercado nacional, com a nova divisão JBS Aves Brasil.

Com isso, a meta é aumentar em 15% a capacidade de produção geral, chegando a cerca de nove milhões de aves/dia, ainda conforme o comunicado.

Dívida

Dados citados pelo Canal Rural indicam que a Doux Frangosul somaria dívidas na casa dos R$ 466 milhões.

Em dificuldade desde 2008, quando a matriz francesa Doux penou com a crise mundial e começou a derrapar no pagamento a fornecedores, amargando queda de 12,2% na receita de 2009 da operação brasileira, que ficou em R$ 1,7 bilhão, a companhia teria na própria dívida um dos argumentos de negociação com a JBS.

Conforme fontes próximas à negociação mencionadas pelo Canal Rural, a retomada plena dos negócios da Doux Frangosul exigiria aplicação em torno de R$ 140 milhões, sendo R$ 37,4 milhões para produtores, R$ 17 milhões para insumos, R$ 34 milhões para ração, R$ 40,8 milhões para transporte e R$ 10,2 milhões para pagar salários.

Além disso, a lista de credores traz Oppenheimer Bank, Banco do Brasil, Aldwych Adm e Banrisul, só na linha de empréstimos.

Suínos em boato
Em fevereiro deste ano chegaram a circular especulações no mercado de que a Doux Frangosul seria absorvida pela BRF, conglomerado resultante da fusão entre Sadia e Perdigão.

Os boatos antecederam as férias coletivas concedidas a mais de 600 trabalhadores do segundo turno, dispensados por 30 dias a partir de 05 de março.

Na época, o Jornal do Comércio chegou a noticiar que granjas produtoras de leitões integradas à Doux tinham passado a entregar animais a terminadores vinculados à Sadia e Perdigão.

Antes disso, no segundo semestre de 2011, a BRF tinha divulgado um comunicado ao mercado sobre tratativas para assumir a planta de abates de suínos da Doux Frangosul existente em Caxias do Sul.

O comunicado fazia a ressalva de que a negociação envolvia apenas unidade física e não produtos ou marcas, conduta preventiva diante das restrições impostas pelo Cade após a fusão que deu origem à BRF.

Histórico da crise

A crise mundial de 2008 trouxe à Doux dificuldades para quitar fornecedores, o que, em 2010, gerou uma lista de pagamentos em atraso a mais de 2 mil criadores de frango integrados no Rio Grande do Sul, conforme dados apurados na época pelo Correio do Povo.

Em junho de 2011, a crise levou a empresa a de origem francesa vender seus ativos de peru, operação que representava 6% do abate total no Brasil, à Marfrig por R$ 65 milhões.

Fundado em 1955, o Groupe Doux atua em aves, produtos à base de carne suína e outros itens processados, com plantas industriais na Europa e no Brasil.

Ao todo, são 17 abatedouros e plataformas de expedição, seis fábricas de embutidos e dez de rações, além de 13 incubatórios.