André Piccinin Gualda assume, interinamento, o cargo de presidente da Padtec. Foto: Divulgação.

A Padtec, fabricante de equipamentos para comunicações ópticas sediada em Campinas, anunciou na quinta-feira, 30, a saída do seu presidente, Jorge Salomão.

O profissional liderava a companhia desde a sua fundação como um spin off do CPqD, em 2001. Ainda não há um sucessor definido.

O comando será exercido interinamente por André Piccinin Gualda, acumulando a função com a de diretor Administrativo Financeiro.

A decisão dos acionistas da Padtec – além da majoritária CpqD, também tem participações o BNDES, a Ideiasnet e um grupo de executivos da própria empresa – é a parte mais visível até agora da crise que a empresa enfrenta.

Em uma nota divulgada dias atrás, a Padtec divulgou o fim da produção da sua linha de produtos FlexPad, focada em equipamentos de última milha para levar fibra óptica aos usuários finais, o chamado GPON, no qual a empresa batia de frente com a Huawei.

De acordo com a nota, a decisão é um “realinhamento estratégico”, segundo o qual a Padtec concentrará seus esforços no seu core business, transmissão ótica de alta capacidade com sistemas DWDM.

A empresa também disse ter feito demissões, sem abrir números, justificando as decisões pela “desaceleração da economia e o aumento acentuado”.

A Ideiasnet S.A também divulgou uma nota, ajudando a completar o quadro. Segundo o fundo, a CPqD tem “elevado consumo de caixa operacional” devido à elevação contínua nos prazos de recebimento de clientes, em sua maioria grandes operadoras de telefonia.

A Ideiasnet não entra em maiores detalhes, mas é possível que parte dos atrasos de pagamento dos clientes venha do governo federal, que sabidamente anda devagar nos seus pagamentos ultimamente.

Em 2013, a PadTec fechou através da sua subsidiária integral PSG um contrato de R$ 99 milhões para prestar serviços de gestão, operação e manutenção da rede da Telebras (a estatal manifestou em nota ao Baguete que fez esses pagamentos em dia).

Não foi o primeiro contrato desse tamanho abocanhado pela PadTec junto ao governo federal.

Devido à estratégia do governo federal de privilegiar empresas brasileiras em compras públicas, a Padtec venceu uma licitação para fornecer equipamentos para o Plano Nacional de Banda Larga com uma oferta de R$ 68,9 milhões, preço que era R$ 8 milhões mais caro que a segunda colocada, a chinesa ZTE.

(A Telebras manifestou em nota enviada ao Baguete que, em uma negociação posterior ao fechamento da licitação, o preço da Padtec acabou sendo reduzido para um valor inferior ao oferecido pela ZTE).

A Padtec também recebeu um aporte de R$ 138,9 milhões do BNDES em janeiro do ano passado, quando o banco de fomento estatal adquiriu 20% da empresa.

O balanço oficial de 2014 ainda não foi divulgado, mas na sua nota a Padtec adianta que cresceu “dois dígitos” no ano passado, atingindo R$ 400 milhões.