Banco Neon era uma das maiores fintechs do país. Foto: Pixabay.

O Banco Central decretou nesta sexta-feira, 04, a liquidação extrajudicial do Neon, um banco digital criado em 2016.

De acordo com o BC, o Neon cometeu  "graves violações" às normas legais e regulamentos vigentes no sistema monetário brasileiro, tendo uma situação econômico-financeira “comprometida”.

Com a decisão do BC, as contas serão bloqueadas e será feito um levantamento dos saldos dos cartões pré-pagos e dos valores de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para restituir os correntistas "com a celeridade possível". 

Os demais credores, segundo o Banco Central, serão informados a respeito das providências para habilitação dos seus créditos. 

De acordo com o Infomoney apurou com fontes de mercado, o problema do Neon é de deficiência patrimonial e descumprimento de regras contra lavagem de dinheiro.

A Neon foi criada a partir de uma joint-venture entre a startup de cartões pré-pagos Controly e o Banco Pottencial.

No ano passado, passou a emitir CDBs e, em março, lançou o cartão de crédito. Ainda neste ano, teria um quarto produto: a conta corrente para pessoa jurídica, a grande aposta da fintech.

Investiram na fintech as empresas Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital - family office do Pátria Investimentos - e Yellow Ventures.

Ainda nesta quinta-feira, 03, aliás, a empresa anunciou um novo aporte de investidores na operação, totalizando R$ 72 milhões.

Foi o maior aporte de série A da história do Brasil (no jargão da área de startups, série A é um aporte de uma quantidade maior, depois te terem sido feitos aportes do chamado "capital semente").

Na divulgação do investimento, o Neon divulgou já ter 190 funcionários e uma meta de triplicar o número de clientes para um milhão até o final do ano. 

O fato de uma das maiores fintechs do país ter as suas portas fechadas um dia depois de levantar a maior série A da história expõe o abismo existente entre o que mercado enxerga como um negócio promissor e o BC como uma ameaça ao sistema financeiro.

Muita gente nesses momentos deve estar roendo as unhas. De acordo com uma pesquisa do FintechLab, o investimento feito por bancos e startups do setor financeiro, as chamadas fintechs, em iniciativas consideradas disruptivas chegou a R$ 1 bilhão no Brasil.

O primeiro radar da FintechLab, que mapeia iniciativas do segmento, identificou 170 ações em agosto de 2015. No ano passado, a organização contabilizou 260 iniciativas.