PRÉ-FISL

Stallman: chá e alfinetadas em POA

04/06/2012 17:38

Pai do movimento Software Livre listou ameaças à liberdade digital, como Facebook, Microsoft, Apple e Kindle Amazon.

Richard Stallman. Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

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Richard Stallman, fundador do movimento Software Livre, deu uma aula de duas horas sobre ameaças à liberdade digital nessa segunda-feira, 04, no Palácio Piratini, em Porto Alegre.

A lista de perigos não poupou marcas como Facebook, Microsoft, Apple e Kindle Amazon.

O hacker foi convidado pelo governo gaúcho para celebrar um ano do gabinete digital, 40 anos da Procergs e o lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre (fisl).

Como bom anfitrião, o governador Tarso Genro se disse “muito honrado” por ter Stallman na sede do governo logo no início dos trabalhos, por volta das 14h30.

O QUE DIZ UM BRIGADEIRO?
Durante a fala de Tarso, Stallman acompanhava tudo olhando para as TVs à sua frente.

“É uma pessoa que merece todo o respeito pela luta e pelo exemplo de vida”, lisonjeou Tarso, que saiu antes de Stallman completar a sua lista de nove perigos à liberdade digital (na sexta ameaça, exatamente).

Vestindo seu traje clássico – camisa polo vermelha, calça caqui e tênis preto –, Stallman acompanhou as falas iniciais, fez cara feia por causa do mau contato nos fones de ouvido, bateu palminha quando apareceu no vídeo do fisl10, sorriu para o co-anfitrião Marcelo Branco e tentou quebrar o gelo quando assumiu a tribuna.

“Eu criei uma piada em português, mesmo sem falar o idioma. Vocês sabem o que diz um brigadeiro? Obrigado”, falou, num portunhol carregado pelo inglês de Manhattan, sua terra natal.

Passado o silêncio da pós-brincadeira, Stallman recomendou à técnica que o receptor que ele usou fosse trocado em função do mau contato e pediu chá no lugar da água gelada, dizendo estar mal da garganta.

THE EVIL
Entre uma xícara e outra, Stallman discorreu lentamente sobre o que definiu como nove ameaças à liberdade digital.

Segundo o guru do software livre, as redes sociais, equipamentos e marcas já citadas no início desta matéria são instrumentos usados para obter informações sobre os cidadãos, além de meios de controle das liberdades individuais.

“Um cidadão obteve do Facebook todas as informações que essa rede social tinha armazenada sobre ele. Foram 2.000 páginas. Nem Lênin conseguiria tanta informação sobre uma pessoa”, disse o palestrante.

Fazendo jus ao discurso, Stallman pediu que ninguém colocasse suas fotos no Facebook.

Em 2010, a rede social enfrentou sérios problema com relação à forma como conduzia as políticas de privacidade. O Google sofreu com a mesma questão no mesmo ano.

“Não dê a eles essa chance de controlar”, justificou.

QUEIMADINHAS
A palestra seguiu com outras alfinetadas, disfarçadas de demandas.

Um exemplo, o pedido de Stallman para que sua apresentação fosse publicada em formatos abertos de vídeo – OGG.

“Não quero que o formato (do arquivo) das minhas palestras contradiga o conteúdo”, ponderou.

Até agora, porém, quem verificar as extensões dos arquivos no site do governo observará apenas vídeos no formato “.wmv”, sigla para o Windows Media Video, da temida Microsoft.

O vídeo da palestra de Stallman, entretanto, não havia sido publicado até o fechamento desta matéria.

URNA ELETRÔNICA NA MIRA
No país que utiliza há quase uma década um sistema informatizado para a eleição e diante de um governador eleito em pleito baseado nesse método, Stallman também disparou contra isso.

“Como é que se vai confiar num sistema tão flexível? Como eu vou ter certeza de que os votos foram para quem eu quis? Mesmo que haja especialistas de confiança dizendo que é um sistema honesto, o que me garante que o software não será substituído?”, questionou.

Nessa altura da palestra, o auditório que começou com gente em pé já exibia suas cadeiras vazias, incluindo a de Tarso, que junto a outros membros do governo partiu para outro compromisso.

Se o esvaziamento se deu por desinteresse ou agenda, para Stallman, que estava ainda na sétima ameaça, falando sem anotações ou slides, pouco importava.

Teve quem gostasse.

“O cara é crânio”, opinou um dos garçons do Palácio, entre uma reposição de chá e outra.

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