Mercado de celulares está na mal na foto. Foto: Pixabay.

As vendas globais de smartphones para usuários finais caíram 20,2% no primeiro trimestre de 2020, de acordo com um levantamento realizado pelo Gartner. 

Segundo o instituto, as medidas globais de restrição de mobilidade combinadas com a incerteza econômica provocada pela pandemia da Covid-19 fizeram os consumidores pararem de gastar em produtos não essenciais, levando a demanda por smartphones ao que chama de colapso. 

"A pandemia de coronavírus fez com que o mercado global de smartphones experimentasse seu pior declínio de todos os tempos", afirma Anshul Gupta, analista sênior de pesquisa do Gartner. 

Os cinco principais fabricantes de smartphones do mercado global registraram forte declínio no primeiro trimestre de 2020, com exceção da Xiaomi, quarta colocada no market share.

As fortes vendas de dispositivos Redmi nos mercados internacionais e o foco agressivo no canal on-line levaram a empresa a obter taxas de vendas melhores que o esperado. 

Já os piores desempenhos foram da Samsung, Huawei e Oppo. 

Embora as vendas de smartphones da Samsung tenham caído 22,7% no primeiro trimestre de 2020, a empresa ainda manteve a sua liderança, com 18,5% de participação de mercado.

A companhia ampliou o estoque de seus produtos nos canais de venda, como preparação para os lançamentos de seus novos smartphones neste período, mas seu ineficiente canal on-line levou a companhia a registrar vendas muito mais fracas para os usuários finais. 

Para o Gartner, o declínio poderia ter sido muito pior. A presença limitada da Samsung no mercado chinês e a localização de suas fábricas fora da China impediram uma queda mais acentuada.

A Huawei, por sua vez, registrou o pior desempenho entre os cinco principais fornecedores mundiais de smartphones no primeiro trimestre de 2020. 

Suas vendas totalizaram 42,5 milhões de unidades, uma queda de 27,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mesmo com seu primeiro declínio nas vendas de smartphones, a Huawei manteve a vice-liderança, com 14,2% de participação de mercado.

"A Huawei terá um ano desafiador. Ela desenvolveu o ecossistema do Huawei Mobile Service (HMS), mas com a falta de aplicativos populares do Google e da loja Google Play, é improvável que a Huawei atraia novos compradores de smartphones nos mercados internacionais", prevê Anshul Gupta, analista sênior de pesquisa do Gartner.

Embora a Apple, que fechou 2019 como terceira no market share, não seja tão dependente da China, ela enfrentou restrições de fornecimento e fechamento de lojas que impactaram negativamente as vendas do iPhone no primeiro trimestre de 2020. 

No entanto, o impacto da pandemia foi menos significativo nela do que em outros fornecedores. As vendas do iPhone caíram 8,2%, totalizando 41 milhões de unidades no primeiro trimestre de 2020.

“A Apple teve um forte início de ano, graças à sua nova linha de produtos, que teve um forte impulso globalmente. Se a Covid-19 não acontecesse, a empresa provavelmente teria visto suas vendas de iPhone atingirem um nível recorde neste trimestre”, conta Annette Zimmermann, VP de pesquisa do Gartner.

No final de março, a capacidade da empresa para atender clientes por meio de suas lojas on-line e sua produção voltando aos níveis quase normais ajudaram a recuperar parte do impulso positivo inicial.

Já as vendas de smartphones da Oppo, quinta colocada mundial, caíram 19,1% no primeiro trimestre de 2020. A distribuição offline da empresa, que é um de seus pontos fortes, foi afetada pelo fato do consumidores e empresas passarem a comprar produtos on-line. 

Na avaliação do Gartner, é fundamental que a Oppo fortaleça seu canal de vendas digital para aumentar suas vendas e participação de mercado.