Se fecharem as empresas de TI do Eike, o sorrisinho pode iluminar outros rostos. Foto: divulgação

Quando concluído, o plano de desmembramento do grupo X, de Eike Batista, que prevê vendas de empresas e projetos, diluições de participações e renegociações de dívidas, é provável que não reste nenhuma das companhias geridas pelo empresário e sua holding EBX.

A avaliação é do Valor Econômico, e pode significar boas notícias para a TI do Rio Grande do Sul.

Afastando o teor abutre da afirmação, vale lembrar a inegável dor de cabeça que as investidas de Eike no setor, em áreas como automação, com a SIX Soluções Inteligentes, que levou investimento da IBM, e chips, com a SIX Semicondutores, preocuparam o estado – a primeira, por concorrer com a leopoldense Altus, e a segunda, com o Ceitec.

A SIX Soluções Inteligentes resultou da aquisição, em 2010, de 70% da AC Engenharia e se anunciou no mercado de automação industrial, com sede no Rio de Janeiro e investimentos previstos de R$ 100 milhões até 2019.

Em 2012, a IBM comprou 20% da SIX, com a qual fechou contrato de prestação de serviços no valor de US$ 1 bilhão por um período de 10 anos.

A empresa entra no campinho da Altus, que se destaca na área de hardware para automação industrial com contratos junto a clientes como a Petrobrás, com a qual, só em 2011, a empresa gaúcha fechou um contrato de R$ 115 milhões para automatizar oito plataformas em fabricação na cidade de Rio Grande e outros US$ 8,25 milhões para automação de duas novas plataformas.

Nessa última disputa, a Altus venceu quatro empresas multinacionais.

Já a SIX Semicondutores é uma fábrica de chips que começou a ser construída em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, em 2012, com investimentos da ordem de R$ 1 bilhão e previsão de começar a produzir em março de 2015.

Quando a companhia foi anunciada, houve burburinhos no mercado sobre a concorrência da empresa com o gaúcho Ceitec, já que a fábrica de semicondutores de Porto Alegre e a SIX têm foco em áreas semelhantes, como o uso de chips em documentos.

O presidente do Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva, chegou a publicar um artigo no portal brasiliense Convergência

Digital afirmando que as empresas não competem, mas sim, se complementam, do ponto de vista tecnológico.
Isso porque a SIX anunciou que trabalharia com tecnologia de 130 a 90 nanômetros, enquanto o Ceitec atua com 600 nanômetros.

Outra questão levantada foi o investimento do governo na SIX, que bancou mais da metade do aporte geral, com financiamentos do Bndespar, braço de participações acionárias do BNDES, com R$ 245 milhões; do próprio BNDES, com R$ 267 milhões (dos quais R$ 202 milhões são na modalidade direta e R$ 65 milhões repassados pelo BDMG) e Finep (R$ 202 milhões, com recursos do Funttel).

Quanto a isso, Silva limitou-se a dizer que não iria “entrar“no debate privado versus estatal”.

De acordo com a análise do Valor, Eike poderia ficar com uma ou outra participação minoritária em seus maiores empreendimentos e, talvez, com algumas companhias de menor expressão do grupo.

O  jornal apurou que, se tudo sair conforme os planos do empresário e de seu assessor financeiro, o banco BTG Pactual, Eike terminará o processo sem dívidas e com patrimônio entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões.

Está longe de ser um mau negócio, mas pode soar como decepcionante para um empresário cuja fortuna já foi avaliada em US$ 30 bilhões.

Se Eike vai terminar sem suas empresas ou sócio minoritário de algumas delas, não se sabe ao certo.

O que se tem de fato é que a primeira baixa do grupo EBX ocorreu na quarta-feira, 03, com um acordo para capitalização da empresa de energia MPX, no qual ficou definido um aumento de capital de R$ 800 milhões que dá o controle da empresa ao grupo alemão E.ON.

Nesta companhia, Eike deixará o conselho e se tornará sócio minoritário, com 19%.

Vender a empresa vai permitir pagar dívidas bancárias de quase US$ 4,5 bilhões, sem negociação de descontos, junto a credores como Itaú, Bradesco, Caixa e BTG.

E agora, Eike?