Samsung sentiu a pressão da concorrência. Foto: divulgação.

Lembra quando a Samsung estava pronta para reinar no mercado dos smartphones? Há não muito tempo atrás, a gigante sul-coreana tomou conta do mercado, conquistando clientes desde as camadas de entrada até os smartphones high-end, ameaçando o reinado da Apple. Porém esses dias de glória ficaram para trás.

Segundo analistas, os próximos anos não deverão ser fáceis para a companhia asiática, que enfrenta uma competição acirrada em todas as faixas de preço e produtos, vinda de uma revigorada Apple e a insurgência de outras potências asiáticas no mercado de entrada e intermediário, como Xiaomi e Huawei. A informação é da Reuters.

Os números também apontam isso. Embora a companhia ainda tenha a maior margem entre as fabricantes, os sul-coreanos tiveram no segundo trimestre de 2015 uma queda significativa. A empresa reduziu seu share de 15,5% em 2014 para 10,6% este ano.

Segundo o analista da Stratacherry, empresa de consultoria em Taipei, o choque de realidade para a Samsung é o fato que a empresa está presa com o mesmo sistema Android usado por seus competidores de preço inferior, que estão produzindo telefones de qualidade superior.

"O segredo está evidente para todos os fabricantes Android. Assim que a maioria de todos os aparelhos low-end se tornaram 'bons o suficiente', perdeu-se a necessidade de comprar uma marca premium", afirmou Thompson.

Para recuperar o fôlego, a empresa afirmou na semana passada que continuará seus esforços para aumentar a lucratividade e market share, com novos telefones premium para competir com o iPhone 6 e telefones mais baratos para brigar nas faixas inferiores.

Entretanto, a briga no high-end promete ser ingrata frente aos recordes batidos pelos telefones da Apple, um posto que a companhia asiática chegou muito perto de balançar na época de lançamento do Galaxy S4, em 2013. Porém, os tempos são outros.

"Alguns ainda acreditam que um produto bem-feito pode vender bem, mas o Galaxy S6 mostrou que essa presunção está equivocada", afirmou o analista da IBK Securities, Lee Seung-woo, que acredita que o share da Samsung deve cair ainda mais para 9.3% - o menor índice da marca desde 2010 - no final do ano.

Apesar dos problemas sofridos pela empresa no mercado, a posição financeira da multinacional ainda é confortável, visto a posição privilegiada da multinacional no segmento de chips e componentes para smartphones, onde a marca é líder e fornece até para rivais com a Apple.

Segundo dados da consultoria Nomura, o mercado de smartphones deve crescer de US$ 276 bilhões para US$ 315 bilhões até 2017, um segmento onde a fatia da Samsung está garantida, seja na parte de smartphones ou nas peças integrantes dos aparelhos que irão para as lojas.

"Quando todos estão brigando para encontrar ouro, calças jeans e picaretas são uma ótima fonte de dinheiro. Esta é a estratégia de divisão da semicondutores da Samsung frente ao mercado atual de smartphones", disparou C.W. Chung, da Nomura.