Laércio Cosentino, CEO e fundador da Totvs.

A Totvs fechou o segundo trimestre do ano com uma receita líquida de R$ 545 milhões, uma queda de 2% frente aos resultados do mesmo período do ano passado.

O lucro líquido da companhia foi de R$ 37,7 milhões, uma queda de 45%.

Esse é o segundo trimestre de queda no faturamento na Totvs, uma situação inédita na história da companhia. Nos primeiros três meses do ano, a receita líquida caiu 1%. O ano de 2015 registrou um crescimento de 3%.

A queda dos resultados da Totvs é uma combinação das consequências da desaceleração econômica do país com a transição do modelo de negócios da empresa para a venda de software por assinaturas mensais.

Em sua nota divulgando os resultados, a Totvs frisa o avanço na transição de modelos comerciais, traduzido no crescimento da receita recorrente da empresa, que totalizou no trimestre R$ 336,2 milhões, uma alta de 8% e já equivalente a 61,7% da receita líquida total.

A evolução da receita recorrente no trimestre foi impulsionada principalmente pelo crescimento de 17,2% de subscrição, em comparação ao segundo trimestre de 2015, contabilizando R$ 54,3 milhões. 

O aumento da receita recorrente significa que a Totvs agora receberá ao longo de anos de assinatura o que antes vinha pago na frente como licenças, o que tem um impacto a curto prazo nos resultados.

O modelo Totvs Intera, no qual os clientes pagam preços fixos pelo acesso a diferentes pacotes de software, fechou neste trimestre um ano do seu lançamento.

Outra novidade que está dando resposta é a o Bemacash, que combina o Fly01, software de gestão da Totvs para microempresa, e soluções de hardware de automação e fiscais da Bematech. Foram agregados 440 clientes para a oferta no trimestre.

“Temos visto alguns sinais sutis de recuperação de atividade do mercado, que ainda não se traduziram em recuperação de vendas, mas estamos confiantes que o Brasil sairá desse momento muito mais fortalecido”, ressalta Gilsomar Maia, CFO e diretor de Relações com Investidores.

Recentemente, o presidente e fundador da companhia, Laércio Cosentino, recebeu a reportagem do Baguete na sede da empresa em São Paulo e mostrou confiança na transição em curso na Totvs.

“Temos o controle da situação. As mudanças que estão sendo feitas na companhia não são algo que se faça da noite para o dia. A empresa nunca saiu dos trilhos”, afirmou Cosentino.

A reorganização em curso na Totvs vai além dos modelos de negócio, tendo reflexos no organograma e na estratégia de chegada ao mercado da empresa. 

Na mesma entrevista, o empresário revelou que o processo de transição de comando da Totvs está “fora da agenda” pelos próximos dois ou três anos, com o que se conclui que Consentino estará totalmente no comando da companhia durante as mudanças.

Em julho do ano passado, a Totvs anunciou que teria seu comando dividido entre a Cosentino e Rodrigo Kede, um executivo vindo da IBM, por um período de transição até que Kede assumisse totalmente. Seis meses depois, Kede saiu da empresa.

Além disso, saíram da empresa nos meses seguintes Marília Rocca, VP de Serviços e Cloud Computing e Gilsinei Hansen, VP de Sistemas e Segmentos, além de Gilmar Hansen, diretor de Produto do Fluig, todos executivos com uma década de Totvs.

O novo posicionamento inclui a divisão da Totvs em seis “torres” sob as quais se distribuem 11 verticais de negócios. Essa nova divisão mostra uma série de executivos em alta dentro da gigante brasileira de ERP, com tanta experiência como os que saíram.

Alguns deles são Eros Jantsch, executivo vindo da Bematech com a torre de Micro e Pequenos Negócios, que distribui o pacote de hardware da companhia paranaense com o software para micro empresas Fly 01; Ronan Maia, vindo da PC Sistemas, agora à frente da torre Consumer (onde estão as verticais distribuição e varejo) e, sem muito alarde, o filho de Consentino, Marcelo Cosentino, com a torre Services (serviços, educacional, jurídico, construção e projetos e Hospitality).

A Totvs tem um posicionamento de mercado sólido no país. De acordo com dados o estudo anual sobre o mercado de TI feita pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), a empresa tem 50% dos clientes com até 170 usuários de ERP no país.