CRISE

Hash faz segunda onda de demissões

04/08/2022 11:52

Com mais de 60% de redução do quadro, a fintech admite a possibilidade de fechar as portas.

Foto: Pexels.

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A Hash, especializada em infraestrutura de pagamentos e banking, acaba de fazer uma segunda onda de demissões, desligando cerca de 58 pessoas, além de terminar acordos e fechar operações com clientes. Segundo o site Startups, a empresa admitiu o risco de fechar as portas.

O comunicado das demissões teria sido passado aos funcionários via mensagem no Slack por João Miranda, CEO e cofundador da startup. No texto, o executivo apontou que a companhia chegou a um “ponto crítico”, o que a obrigou a “quebrar o combinado” e fazer novas demissões.

Em junho, a fintech já havia cortado cerca de 50 colaboradores e, em maio, outros 20. No início do ano, o quadro da empresa era de cerca de 180 pessoas. Com as 52 pessoas que sobraram na equipe, a redução chega a mais de 66% desde então.

Ainda de acordo com a publicação, clientes da Hash também tiveram seus contratos de serviço terminados imediatamente sem aviso prévio. O comunicado foi realizado através de um e-mail assinado pelo COO Ademar Proença na última terça-feira, 2.

“Devido às condições de mercado adversas, informamos que as operações da sua companhia estão sendo suspensas na Hash a partir da data de hoje, com a liquidação de quaisquer valores futuros existentes na semana que vem. Eventuais usuários serão comunicados sobre o encerramento das atividades na data de amanhã”, dizia o aviso.

No portfólio de clientes da fintech, estão nomes como Aramis, Aché, Neon e a rede de construção Léo Madeiras, o seu maior contrato.

Procurada pelo Startups, a Hash enviou uma nota com uma resposta padrão.

“Após uma reestruturação, visando redução de custos, a Hash precisou realizar novos desligamentos em seu time. A empresa segue comprometida em apoiar as pessoas colaboradoras afetadas, ajudando em sua recolocação profissional. A Hash reitera que segue em operação e busca opções, avaliando novas possibilidades para o futuro”, respondeu a fintech.

Na nota enviada via Slack, o CEO destacou que a companhia está buscando uma sobrevida por meio de aportes e deverá tomar uma decisão definitiva até o final de agosto. Ela estaria mapeando “um plano de encerramento caso nenhuma das opções remanescentes funcione”.

Fundada em 2017, a Hash levantou R$ 250 milhões somente no ano passado, quando captou uma rodada série B e uma série C. Na época, a expectativa era fechar 2021 com 20 clientes e dobrar esta base em 2022.

O Startups aponta o mercado acirrado como motivo da crise. Companhias de grande porte, como a Porto Seguro, entraram no jogo com a compra da Atar. A Dock, por sua vez, levantou US$ 110 milhões em maio e se tornou um unicórnio.

Já a Swap recebeu R$ 135 milhões em rodada liderada pela Tiger Global, que também colocou US$ 190 milhões na argentina Pomelo. Em abril, a plataforma de open finance Celcoin também levantou R$ 85 milhões junto à gestora Innova Capital.

Os grandes cortes em companhias de tecnologia, no entanto, têm se tornado frequentes, com empresas como Ebanx, Vtex, Olist, Quinto Andar, Loft e Facily realizando desligamentos em massa neste ano.

A virada no ambiente de startups foi sinalizada ainda em abril, quando Masayoshi Son, presidente do SoftBank, disse que o conglomerado japonês deve reduzir os investimentos em negócios de tecnologia neste ano devido aos maus resultados das investidas.

O Sequoia Capital, fundo do Vale do Silício que já captou cerca de US$ 20 bilhões e traz no currículo aportes iniciais em companhias como Apple, Google e Airbnb, fez um alerta às startups de seu portfólio em uma apresentação com 52 slides.

Nela, destacou que a combinação de mercados financeiros turbulentos, inflação e um conflito geopolítico trazem um momento crucial de incertezas e mudanças.

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