Felippe Gubert Duarte, Hermine Tham e Guilherme Macedo. Foto: Divulgação.

A startup curitibana Ziggo lançou, em agosto, seu portal para compra e venda de smartphones e tablets usados. Diferente de sites como MercadoLivre, OLX e BomNegócio.com, em que usuários podem negociar produtos usados entre si, na Ziggo é a própria empresa que faz a compra, para depois revender o aparelho em seu site.

Atualmente, a startup tem cerca de 30 aparelhos em estoque. As transações de compra e venda estão em 5 por dia. Até o final do ano, a expectativa é que esse número chegue a 20.

“As transações têm girado muito rápido. Os iPhones, por exemplo, que são os mais procurados, às vezes já estão com venda garantida antes de chegarem nas nossas mãos, porque os clientes procuram e pedem para reservar”, relata Guilherme Marcondes Macedo, sócio-fundador da Ziggo.

Outras marcas com procura alta são a Motorola e a LG, com sua linha de produtos mais caros.

Ao vender um iPhone para a Ziggo, é possível descrever o celular por opções como “excelente estado”, “boa condição”, “tela trincada” ou “danificado” (com o botão estragado, por exemplo). O valor pago pelo aparelho varia de acordo com os problemas apresentados.

A empresa conserta os celulares antes de colocá-los a venda. O preço pelo qual ele será vendido pode variar de R$ 1.200 a R$ 1.350, no caso de um iPhone 5.

“Alguns fatores que aumentam o preço são a venda com os fones de ouvido em boas condições e o fato de o aparelho ainda estar na garantia”, exemplifica.

Com a chegada do iPhone 6, o valor diminuirá.

“A cada lançamento, consideramos que o aparelho antigo da marca perde de 20% a 25% de valor de mercado”, afirma Macedo.

A empresa considera a comodidade e a segurança como seus pontos fortes em relação a sites como MercadoLivre, OLX e BomNegócio.com.

“Nesses portais, a pessoa precisa ficar muito tempo dando atenção aos seus anúncios, além de ter que lidar com possíveis fraudes. Com a Ziggo, ela sabe na hora quanto vai receber e o dinheiro chega em 24h após o recebimento da mercadoria”, relata.

Experiências frustadas com o MercadoLivre foram, inclusive, a inspiração para a criação da empresa.

“Há 8 anos, quase enviei um notebook que coloquei a venda para um comprador da Bahia. Um dia antes, recebi um e-mail do MercadoLivre alertando para as avaliações negativas do comprador, mas ele havia me enviado até comprovantes do PagSeguro, que na realidade eram falsos”, conta.

Anos depois, foi a quantidade de perguntas que não levaram à venda de um iPhone que incomodaram Macedo.

“Recebi muitas mensagens oferecendo a troca por outros produtos ou com dúvidas de pessoas da Nigéria, por exemplo, que não eram o que eu tinha em mente quando coloquei o aparelho no site”, completa.

Com a plataforma, a Ziggo está inserindo no Brasil o conceito do recomércio, ou comércio reverso, algo ainda pouco discutido no país, mas que é encontrado na Europa e nos Estados Unidos. 

Segundo a empresa, pesquisas produzidas no Reino Unido mostram que 50% dos smartphones são reaproveitados por meio do recomércio. 

"Tendo em vista essa lógica, entendemos que o mercado brasileiro facilmente movimentará 300 mil unidades por mês por meio de plataformas como a Ziggo", analisa Macedo.

Uma diferença é que em outros países é possível encontrar smartphones novos por preços muito baixos quando associados a um plano de longo prazo de operadoras. No Brasil, as ofertas não são tão atraentes, o que colabora para o negócio praticado pela Ziggo.

“Essa é a realidade do Brasil há muito tempo e não acreditamos que isso vá mudar. Aqui, o preço do iPhone é o mais alto do mundo. Por isso, inclusive, acabamos vendendo os usados por um valor até 130% maior do que os sites de revenda conseguem ofertar em outros países”, revela Guilherme.

Entre esses sites está o Gazelle, líder de mercado dos Estados Unidos, que já levantou US$ 55,9 milhões em investimentos desde 2006.

Hoje a Ziggo aceita comprar 100 modelos diferentes de smartphones.

“Logo que começamos, eram 850, mas observamos que primeiro precisávamos fazer a empresa ser conhecida no mercado e trabalhar com um leque menor, para depois de consolidada ampliar os modelos”, relata.

Celulares mais simples são aceitos como doação, para quem quer fazer o descarte correto de aparelhos que já não tem valor de mercado. O braço sustentável da empresa é o Reciclecel, lançado em fevereiro deste ano, que conta com mais de 400 pontos de coleta cadastrados em todo o Brasil.