Agência da Caixa. Foto: divulgação.

A Caixa Econômica fechou um contrato de R$ 144,4 milhões com a Allen Rio para a aquisição de licenças permanentes de software da Microsoft  para estações de trabalho e servidores, com suporte e atualizações pelos próximos dois anos.

O valor ficou muito próximo do valor máximo estipulado da Caixa, de R$ 144.755.121,84. A oferta da Allen é só 0,22% abaixo do valor. Participaram do pregão também a Brasoftware, Compusoftware e Lanlink.

Com a nova licitação, a Caixa dobrou numa tacada seu investimento em tecnologia da Microsoft. Em 2012, uma licitação, também vencida pela Allen, adquiriu produtos no valor de R$ 112,09 milhões, só que por um período de três anos. 

A licitação envolvia a compra de milhares de licenças da suíte de escritório Office, do serviço de e-mail Exchange, sistemas operacionais para servidores, soluções de comunicação Lync, Sharepoint, bancos de dados SQL e um longo etc, que provavelmente está sendo renovado agora.

A licitação de 2012 marcou uma virada na estratégia da Caixa em relação a software open source. O banco se justificou na época em uma nota dizendo entre outras coisas que “apesar dos esforços da Caixa e dos fornecedores para suporte e consultoria, não foram alcançados resultados satisfatórios em inúmeros projetos estruturantes da plataforma baseada em soluções de software livre”.

Por isso, o banco optou por atualizar os produtos da plataforma Microsoft adotados nos anos 90 e que não eram atualizados desde 2000, disse Caixa, alegando que havia produtos de “elevado nível crítico”, impondo “um risco de segurança e continuidade de serviços”.

Assim como em 2012, o novo contrato da Caixa não caiu bem entre os defensores do software livre, que estão vendo sua influência cair dentro da instituição.

“Qual a quantidade deste dinheiro que serão gerados no Brasil? Quase nada! Qual a quantidade de empregos que serão gerados no Brasil?  Quase nenhum! Depois não podem reclamar também de espionagem da NSA e vazamento de informações estratégicas do governo”, aponta uma nota no site da ASL.

Todo o dinheiro gasto com a Microsoft empalidece frente a um contrato de R$ 518 milhões em três anos com a SAP, através do qual o banco decidiu consolidar 80 sistemas legados usando a aplicação da SAP para core banking.

Apesar dos softwares de saída na Caixa no caso do contrato com a SAP não serem open source, a troca é também uma refutação dos argumentos sobre a necessidade do governo brasileiro usar seu poder de compra em tecnologia para fomentar a indústria nacional ou o perigo de espionagem apontados na nota da ASL.

O maior comprometimento da Caixa com gigantes multinacionais de TI começou em junho de 2012, quando banco, através do seu braço de investimentos Caixa Participações comprou 22% da então CPM Braxis Capgemini (hoje a marca brasileira sumiu do nome, ficando só a da gigante francesa) por R$ 321 milhões.

Parte do acordo era que a CEF se comprometeria a usar a multinacional francesa como seu fornecedor preferencial de tecnologia pelos próximos 10 anos.