Alberto Menache.

A Linx, empresa de software de gestão para varejo, comprou a catarinense Chaordic e a amazonense Neemu, duas companhias novas que são destaques no mercado brasileiro de  personalização para e-commerce.

As compras devem custar R$ 78,6 milhões à vista, mais R$ 32,8 milhões relacionados ao atingimento de metas de 2016 a 2018, totalizando R$ 111,4 milhões. 

As empresas são as primeiras grandes aquisições da Linx na área de e-commerce. A Linx fez nada menos que 19 aquisições desde 2008, a maioria delas de companhias donas de softwares de gestão para varejos tão diferentes como lojas, farmácias e postos de gasolina.

Em sua nota divulgando as aquisições, a Linx não deu dados individualizados de cada uma das adquiridas, informando apenas que a receita bruta combinada das duas para 2015 é de R$ 32 milhões. 

Ainda de acordo com a Linx, 60% do volume do e-commerce brasileiro trafegam pelas soluções adquiridas, incluindo nomes como Americanas, Saraiva, Submarino, Máquina de Vendas, Centauro, Sephora, Hotel Urbano, Onofre, O Boticário, Natura, Renner, Itaú, Walmart, entre outros.

A Chaordic, fundada em Florianópolis, e a Neemu, criada em Manaus, ambas em 2010, tem trajetórias e provavelmente tamanhos parecidos. Uma matéria da Exame ainda em junho falava em 30% do e-commerce do Brasil rodando na Neemu, o que é a metade da cifra divulgada pela Linx.

Ambas empresas foram fundadas por acadêmicos (UFSC no caso de uma, UFM no caso da outra), foram investidas por fundos (DLM e Black Key) e atraíram executivos de peso para seus times.

Nesse caso a Neemu foi melhor sucedida, dentro no seu time três ex-executivos da Cnova — o presidente Gustavo Avelar, a diretora de marketing Renata Malagoli e o conselheiro Leonardo Gasparin. A Chaordic tem o ex-Google Thiago Machado como seu novo diretor comercial. 

A Chaordic, por outro lado, investiu um pouco mais em visibilidade, com participações em rankings de melhores empresas para trabalhar e até um estiloso escritório em Florianópolis, premiado em concursos internacionais de arquitetura.

“Com estas aquisições ampliamos nossas ofertas para o varejo online, buscando a integração entre os mundos offline e online e, com isso, ajudaremos nossos clientes a mudar a experiência de compra de seus consumidores”, afirma Alberto Menache, diretor-presidente da Linx.

Os valores como os pagos pelas duas empresas são frequentes. Para ficar só nas últimas aquisições, a Linx pagou à vista R$ 44 milhões pela Softpharma e outros R$ 38,7 milhões pela  Big Sistemas. Ambas empresas atuam com softwares de gestão e automação de farmácias e foram compradas no ano passado.

A Linx encerrou o primeiro trimestre de 2015 com receita operacional bruta de R$ 117,2 milhões, um aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido atingiu R$ 15 milhões, o que representa ampliação de 9,3% em comparação ao 1T14. 

Em outubro de 2014, o BNDES aprovou a liberação de uma linha de crédito de R$ 102,8 milhões para a Linx. Os recursos foram liberados pelo Programa para Desenvolvimento da Indústria de Software e Serviços de Tecnologia da Informação.