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ROUPA SUJA

SAP rebate processo da Teradata

Maurício Renner
// terça, 04/09/2018 11:25

A Teradata processou a SAP porque não consegue inovar em novos produtos para competir com o banco de dados em memória Hana.

Nem sempre roupa suja se lava em casa. Foto: Pixabay.

Pelo menos, é o que diz a multinacional alemã, que apresentou no final do mês sua defesa em um processo que a Teradata iniciou em junho, segundo revela o site The Register.

A Teradata acusa a SAP de roubar propriedade intelectual de produtos de data warehousing da companhia e usar os mesmos para criar o banco de dados em memória Hana.

A origem da discórdia é o Bridge Project, uma joint venture lançada pelas duas empresas em 2008 visando combinar aplicações de gestão da SAP com arquitetura de processamento paralelo da Teradata. 

De acordo com a Teradata, a SAP encerrou a joint-venture dois meses depois de lançar o Hana em 2011. 

Em sua defesa, a SAP disse que já vinha trabalhando no Hana desde muito antes e que a Teradata buscou o acordo por ter uma “base limitada de clientes” e o mesmo deu em nada, uma vez que só um cliente aderiu.

A acusação da Teradata vai além, dizendo que a SAP se aproveitou da sua posição dominante em sistemas empresariais para “forçar os clientes” a adotarem o Hana em detrimento de outras tecnologias de data warehousing.  

A SAP afirma que a Teradata não consegue nem sequer avaliar o tamanho da sua presença nesse mercado, reclamando apenas de ter que competir no seu nicho com o novo produto dos alemães.

De acordo com a SAP, a empresa não obriga os clientes a comprarem o Hana para rodar as novas versões do ERP, uma vez que as duas coisas são o mesmo produto.

“A verdadeira reclamação da Teradata é que a SAP escolheu oferecer um sistema integrado com o Hana e não com o banco de dados da SAP. As leis antitruste, no entanto, são feitas para prevenir danos à competição, não aos competidores”, fulmina a SAP.

O S/4, a nova geração de softwares da SAP, roda exclusivamente usando o Hana como software de banco de dados, rodando sobre hardware homologado.

A Teradata está no mercado desde 1979. Foi adquirida pela gigante de POS e caixas NCR em 1991. Em 2007, a NCR decidiu fazer um spin off e a empresa voltou a ser independente.

Desde 2010, a empresa vem tentando se posicionar como um player no mercado de Big Data. 

A empresa compete com alguns produtos da Oracle, IBM, Microsoft e SAP IQ, além das novas distribuições baseadas na plataforma aberta Hadoop.

A Teradata é uma empresa média, com faturamento de US$ 2,2 bilhões no último ano fiscal, uma queda de 7%. A empresa também entrou no vermelho em 2017, com prejuízo de US$ 67 milhões.

Conflitos judiciais como o que a Teradata está iniciando com a SAP são frequentes no meio de tecnologia, tendo como exemplos famosos a disputa entre Apple e Samsung ou entre Google e Oracle.

No caso Teradata x SAP, o aspecto central provavelmente será a relação entre as duas empresas durante o período da joint venture e se a Teradata consegue provar que a SAP efetivamente descumpriu parte dos acordos assinados então.

Parece menos provável que a essência do modelo de negócio do S/4 seja contestada, uma vez que esse tipo de abordagens de mercado é bastante comum no setor de tecnologia.

O processo vem em um mau momento para a SAP, que vem tentando dirimir dúvidas dos seus clientes sobre a migração para o Hana e software em nuvem, ao mesmo tempo em que lança uma ofensiva sobre o mercado de CRM.

Maurício Renner