MMM-1. Foto: divulgação.

Para a AEL Sistemas, empresa-âncora do projeto do Polo Espacial Gaúcho, a confiança de que a proposta do microssatélite seja aprovada no edital Inova Aerodefesa, da Finep, é grande. No entanto, para a companhia gaúcha, mesmo que não seja contemplada, a iniciativa segue adiante.

Na disputa, que destinará R$ 43 milhões ao projeto vencedor, a AEL defende o projeto do MMM-1, satélite de pequeno porte voltado a aplicações de comunicação e monitoramento para o segmento de defesa.

Nesta sexta-feira, 04, a empresa porto-alegrense, braço da israelense Elbit no brasil, apresentou em coletiva à imprensa o modelo de como será o satélite. A apresentação também foi feita a autoridades de governo e militares, já de olho na decisão do edital da Finep, cujo resultado está previsto para 3 de dezembro.

Com pouco menos de 10kg e 30cm de altura, o pequeno satélite puxa o ambicioso programa espacial gaúcho, compromisso firmado pelo governador Tarso Genro em maio em Israel, com o apoio da AEL e universidades como Unisinos, Ufrgs, PUC-RS e UFSM, assim como empresas como Digicon, GetNet e TSM. Estatais como Cientec e Ceitec também estão no bolo.

Para Vitor Neves, vice-presidente da AEL Sistemas, a confiança na aprovação do projeto do MMM-1 é grande, pois é um diferencial competitivo que tem potencial de rivalizar com o mercado internacional e até mesmo com o mercado interno - São José dos Campos, por exemplo, que está desenvolvendo o primeiro satélite geoestacionário do país.

Conforme explica o executivo, o primeiro satélite representará o início do programa espacial gaúcho, com pesquisas e desenvolvimento em parceria com empresas e universidades parceiras. Para Neves, a necessidade imediata é criar uma cultura de conhecimento aeroespacial no estado.

"Será uma plataforma em constante aperfeiçoamento. Em plataformas futuras, como o MMM-2, agregaremos recursos avançados como controle de altitude e órbita entre outros, que nos darão capacidade de competir a nível internacional. Com o MMM-3, já teremos um microssatélite totalmente funcional. Caso recebermos o aporte, estimamos chegar neste ponto em sete anos", frisou.

E se o dinheiro não sair? Nesse caso, Neves admite que a velocidade do projeto pode ser comprometida. Quando perguntado sobre as alternativas para tocar o satélite adiante, o vice-presidente não deu detalhes, mas não descartou a possibilidade de buscar investimentos de fora.

"A verdade é que estamos confiantes que vamos levar este edital. O plano é criar uma plataforma com tecnologias próprias para fomentar o desenvolvimento local", destacou.

Para Marcos Arend, diretor de tecnologia da AEL, a tecnologia do MMM-1 foi a única entre os 69 finalistas do Inova Aerodefesa a criar uma tecnologia voltada a plataformas de pequeno porte para o segmento aeroespacial, uma das linhas propostas no edital.

"É uma vantagem competitiva que já está forte em países desenvolvidos como Estados Unidos, Inglaterra, Japão, China, e que temos plena capacidade de desenvolver por aqui", afirmou.

Com a aprovação do Finep, a AEL estima lançar o satélite no final de 2015, usando o foguete Cyclon-4, que será lançado da base da Alcântara, em São Paulo. Neste meio tempo reside o desenvolvimento do satélite e seus subsistemas, que serão 100% nacionais.

"Quando digo isso, quero dizer que todo o projeto e especificações são feitas internamente. Claro que, devido a restrições do mercado, podemos comprar peças ou componentes no exterior. Mas quanto à parte de sistema e controle do satélite, é tudo desenvolvido nacionalmente", ressaltou Arend.