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Mais um software para prefeituras

04/12/2014 15:22

Mais um software para prefeituras está disponível no Portal do Software Público.

Marcha dos Prefeitos é um evento da CNM. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

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A Confederação Nacional dos Municípios disponibilizou o Urbem, seu software de gestão para prefeituras, dentro do Portal do Software Público do Ministério do Planejamento, em um movimento que prometer ter repercussões no mercado de ERP para prefeituras do país.

A transferência do software vinha sendo negociada desde agosto de 2013 e será oficializada na terça-feira, 09, em um evento em Brasília.

O Urbem é um descendente do Siamweb, software desenvolvido para a CMN pela Ccanet, uma pequena empresa gaúcha com sedes em Bagé e Viamão.

Até o momento, a CMN se limitava a oferecer o software para download em seu site, que contém também documentação, vídeos e manuais necessários.

Tudo indica, no entanto, que o software nunca decolou como um player significativo no mercado de  ERP para prefeituras, apesar do poderio e visibilidade da organização, promotora de eventos conhecidos e com influência política como a Marcha dos Prefeitos.

A CMN não revela qual é a base instalada do produto. Em uma comunicação com o Ministério do Planejamento sobre a transferência do software para o Portal do Software Público, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, citou sete cidades, a maioria delas localidades pequenas no Norte e Nordeste.

A maior delas é a baiana Alagoinhas, uma cidade de 153 mil habitantes a pouco mais de 100 km de Salvador. No mais, a lista inclui locais como a paraibana Caaporã (20 mil habitantes), a potiguar Itaú (5,8 mil) e a amazonense Manaquiri (27 mil). 

A única cidade fora do Norte e Nordeste da lista é a gaúcha Mariana Pimentel, lar de 3,7 mil pessoas e, talvez não por acaso, uma cidade na qual Ziulkoski já foi prefeito entre 1993 a 1996 e 2001 a 2004.

Cidades maiores como Viamão e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, chegaram a ser clientes do  Siamweb, mas a primeira trocou o software pela solução proprietária da Delta e a segunda está em processo de licitar uma troca, informaram fontes ouvidas pelo Baguete.

Segundo o Baguete pode apurar, a decisão da CMN visa tentar aproveitar as verbas do programa Cidades Digitais, uma iniciativa de digitalização de prefeituras do  Ministério de Comunicação que inclui a implementação do e-Cidades, outro software open source para prefeituras disponível no Portal do Software Público.

Em agosto, o pregão para implementação da iniciativa foi vencido por cinco empresas, por um valor total de R$ 228 milhões.

O Cidades Digitais selecionou 80 cidades em 2012 e agregou outras 262 em 2013, quando o programa entrou no guarda-chuva do PAC. Os critérios de seleção foram ter menos de 50 mil habitantes, baixo IDH e pequena penetração de acesso à Internet.

Caso todos esses municípios efetivamente implantem o e-Cidades, a solução terá se transformado numa tacada só em uma solução de gestão para prefeituras com maior base de clientes do Brasil, ainda que com prefeituras menores. 

A título de comparação, empresas com soluções proprietárias como a IPM, de Florianópolis, afirma ter uma base de 300 clientes e Dueto, de Porto Alegre, outras 650, 184 delas só no Rio Grande do Sul

A movimentação da CMN complica a situação das empresas de software para prefeituras de modelo proprietário.

O Portal do Software Público movimenta um ecossistema de implantadores maior do que a CMN conseguiria sozinha, ao mesmo tempo em que agrega a ao poder político da entidade nas prefeituras a estampa do governo federal.

O cenário final poderia ser o Urbem como uma solução para pequenas prefeituras, enquanto o e-Cidades se posiciona no mercado de cidades maiores.

Em novembro, Natal anunciou um projeto para implantar o e-Cidades com consultoria da gaúcha DBSeller, em um investimento de R$ 6 milhões (a DBSeller foi a criadora da solução e abriu a mesma no Portal do Software Público).

A capital potiguar, com 842 mil habitantes, é a primeira do Brasil a migrar para o e-Cidades. Em fevereiro, Niterói, município de 487 mil habitantes na região metropolitana do Rio de Janeiro, fechou um contrato de R$ 14 milhões com a Proderj, estatal de processamento de dados carioca. 

O contrato da capital potiguar, no entanto, marcou uma escalada no comprometimento da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento com o sucesso do e-Cidades.

O governo federal vai bancar cursos de capacitação para utilização do sistema e de adaptação para a administração municipal, além de auxiliar na elaboração do Plano Diretor de Tecnologia da Informação pelo município. 

Até agora, a maioria das implementações se deu em municípios de porte bastante menor. No Rio Grande do Sul, a DBseller tem clientes como Carazinho e Itaqui, que juntos não somam 100 mil habitantes.

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