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Sem fazer alarde, a SAP montou uma operação no Brasil para a SAP Fioneer, uma spin off da multinacional alemã focado setor de bancos e seguradoras.

Segundo a reportagem do Baguete pode averiguar, já foram feitas pelo menos 10 contratações para a nova companhia no Brasil.

Marcelo Mazanati, que atuou por sete anos na SAP como responsável por uma equipe de consultores especializados em empresas do setor de finanças, é o head de serviços para a região América Latina da SAP Fioneer.

Mazanati é um executivo experiente. Ele foi gerente de TI do Banco BV, liderando 90 funcionários e CIO da GE Capital, a operação financeira da GE no Brasil.

Também foi contratado Eduardo Mendes, para a posição de diretor de vendas no Brasil.  Mendes trabalhou nas verticais do setor financeiro da Salesforce, SAP e Oracle.

O time inclui ainda Leandro dos Santos, Katsuhiro Eduardo Ueoka, Dener Lima e Humberto Velleca Lima, três executivos da área da vertical de finanças da SAP com passagens em grandes organizações do setor.

Lembrando: a SAP Fioneer surgiu em abril do ano passado, quando a SAP vendeu suas soluções voltadas para bancos e seguradoras para a Dediq, um fundo de investimento sediado em Munique, na Alemanha.

A Dediq deve investir € 500 milhões no novo negócio, no qual a SAP terá uma participação de 20% em troca da propriedade intelectual das suas soluções para o segmento.

A SAP Fioneer também vai licenciar a plataforma de cloud computing da SAP e o banco de dados em memória Hana. 

O Brasil parece estar entre os mercados prioritários da nova empresa. Quando do anúncio da operação, foi divulgado que a expectativa era que a SAP Fioneer começasse a rodar sozinha em janeiro de 2022.

Janeiro de 2022 chegou, e a SAP Fioneer já tem um time respeitável no país, no qual algum dos integrantes foram nomeados há três meses.

No geral, a SAP projetava transferir um “número de três dígitos alto” de funcionários para a nova SAP Fioneer, o que deve querer dizer algo entre 700 e 999 profissionais. Num time desse tamanho, 10 funcionários no Brasil é significativo.

É importante frisar que os clientes da SAP em bancos e seguradoras que usem outras soluções não específicas da indústria financeira seguirão sendo clientes da SAP.

A Dediq (uma sigla para Dedicated Entrepreneurs with Digital IQ) tem oito anos de atuação, um portfólio de sete empresas e não é uma novata no mundo SAP. Uma das companhias é a Convista, uma consultoria SAP. Uma segunda, a Senacor, atua com serviços TI.

A SAP está presente em 25 verticais diferentes e a verdade é que bancos nunca foi uma das mais expressivas, ainda que a multinacional alemã tenha feito seus esforços para mudar isso.

Pelo menos no Brasil, entre 2011 e 2016, a SAP se mexeu bastante para ganhar penetração no segmento financeiro, patrocinando por exemplo o CIAB, um dos maiores eventos do setor e convidando jornalistas com frequência para falar sobre o tema.

A empresa inclusive fechou alguns contratos, com organizações de menor porte como o banco cooperativado Unicred; o BRDE, banco regional da região Sul controlado pelos governos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e o Banco Intermedium S.A, instituição financeira mineira com atuação em ramos como crédito imobiliário.

Nos grandes bancos, a SAP comeu pelas beiradas, com contratos como um projeto de big data usando Hana no Itaú em 2016, e a implementação do Ariba para gestão de compras no mesmo Itaú em 2017.

A grande exceção à regra foi um contrato de implementação do sistema de gestão fechado pela Capgemini na Caixa Econômica Federal em 2013, no valor de R$ 518 milhões (vale lembrar que naquela época o dólar girava ao redor de R$ 2).

Mas esse projeto envolvia a compra por parte da Caixa de 22% da CPM Braxis, empresa brasileira adquirida pela Capgemini, o que gerou um grande rolo cujos desdobramentos ainda estão em curso.

No meio tempo, o setor bancário mudou muito, com o surgimento de toda a onda de fintechs que hoje dão a tônica no mercado. Novos fornecedores atendem essas novas empresas, que apostam em desenvolvimento ágil e computação em nuvem.

Cada vez mais, os grandes bancos estão adotando o novo paradigma, como mostra o contrato de 10 anos assinado pelo Itaú com a AWS, que provavelmente move sozinho valores com os quais a SAP nunca sonhou no segmento.