O principal motivo de troca é o funcionamento. Foto: flickr.com/photos/umdnews.

O celular tem um ciclo de uso de, em média, menos de três anos, ou seja 54% dos usuários trocam nesse período, e dificilmente passa dos cinco anos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Market Analysis, o celular é o aparelho com menor duração.

Um a cada três desses dispositivos são trocados por não funcionar mais. Esse é o principal motivo de mudança pelas mulheres, 60%. Enquanto isso, 55% dos homens substituem o produto por um mais atual.

Em níveis sociais, os dois motivos são encontrados: 66% da classe baixa troca por motivos de funcionamento e 59% da classe alta muda por atualização tecnológica. 

“Podemos observar também a obsolescência psicológica, quando os consumidores trocam de produtos mesmo que ainda não apresentem defeitos, estimulados pela rápida substituição dos modelos do mercado”, analisa João Paulo Amaral, pesquisador do Idec responsável pela pesquisa.

Por outro lado, 81% substituem os aparelhos antes de levá-lo à assistência técnica para saber se há conserto. 

No entanto, o Idec acredita que a ausência de assistência técnica de algumas marcas e a ineficiência das existentes são as causas desse resultado. 

Em 2012, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça fez um levantamento para verificar a quantidade de assistências técnicas dos cinco maiores fabricantes de celular em todo o país. 

O resultado comprovou que na maioria dos estados brasileiros, o número de assistências técnicas é mínimo e em 13, pelo menos uma das principais marcas não possuía nenhum posto. Os piores casos são os das regiões Norte e Nordeste.  

Quando os aparelhos com problemas são eletrodomésticos (forno de micro-ondas, fogão, geladeira ou freezer e lavadora de roupas), digitais (câmera fotográfica, computador e impressora) e eletrônicos (televisão, DVD e blu-ray), os consumidores tendem a procurar mais a assistência: 77%, 73% e 56%, respectivamente.

Para a pesquisa, 806 pessoas, de 18 a 19 anos, foram entrevistadas por telefone. Foram nove cidades participantes: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

DESCARTE DO LIXO

O estudo também avaliou o descarte do lixo e a logística reversa. A maioria dos entrevistados doa, vende ou guarda em casa seus aparelhos eletrônicos.  

Apenas um a cada seis consumidores descarta os aparelhos. Desses, a maioria joga no lixo reciclável, no lixo comum ou devolvem na loja em que compraram. 

Apenas 1% dos descartes dos celulares são feitos em pontos de coleta específicos, assim como os aparelhos digitais, 2% dos eletroeletrônicos e 5% dos eletrodomésticos.