Lojas Renner. Foto: divulgação.

A Lojas Renner concluiu na semana passada um período de testes internos com o sistema de gestão da SAP e decidiu permanecer com a Oracle, empresa da qual é um dos maiores clientes no país.

A informação é de diversas fontes de mercado ouvidas pela reportagem do Baguete. Procuradas, SAP, Oracle e Lojas Renner não se manifestaram sobre o assunto.

Segundo o Baguete pode apurar, essa foi a primeira vez que a Lojas Renner considerou uma mudança no sistema de gestão da empresa.

Entre os motivos que podem ter influenciado a decisão, apontaram fontes próximas, estão a influência de gestores da Camicado, onde o sistema usado é da SAP, além do desejo de reduzir custos.

Estimativas apontam que a manutenção da tecnologia Oracle, usada de ponta a ponta na empresa, custa R$ 30 milhões anuais para a Renner.

Apesar do valor alto da conta com a Oracle e as boas condições que a SAP provavelmente ofereceu para forçar uma migração de um cliente da adversária, a conta não deve ter fechado quando foram colocadas na mesa as customizações necessárias, apontaram fontes ouvidas pelo Baguete.

Com a Lojas Renner decidida a ficar na Oracle, agora a especulação do mercado é qual será o destino do SAP na Camicado. As opiniões se dividem.

Algumas fontes ouvidas pelo Baguete apontaram que a tendência de longo prazo seria a Lojas Renner buscar uniformizar os sistemas de gestão das lojas de roupas e das de cama, mesa e banho, utensílios domésticos adquiridas em 2011.

Outros apontaram que a política recente da Lojas Renner com relação a TI mostra que a coisa pode não ser bem assim.

Segundo o Baguete apurou, a empresa adquiriu um sistema de gestão da Linx para gerir as lojas YouCom, operações menores destinadas ao público jovem, das quais devem ser abertas 15 novos pontos de venda ainda em 2014.

A opção de comprar um sistema da Linx em vez de expandir o uso do Oracle mostra que a Lojas Renner estaria mais preocupada com reduzir custos da TI no curto prazo do que com possíveis ganhos de sinergia no longo prazo.

O foco de controle de gastos na TI da Lojas Renner foi colocado em relevo em outubro de 2012, quando saiu da empresa o diretor de Tecnologia da Informação e Gestão Leandro Balbinot, hoje à frente da TI da Heinz, nos Estados Unidos.

O cargo foi assumido por Emerson Silveira Kuze, um profissional da casa que fez carreira na área de contabilidade, assumindo em 2007 como gerente de auditoria e prevenção de perdas.

Vale destacar que, ao contrário das lojas YouCom, a Camicado vende outra linha de produtos, o que diminui ainda mais as possibilidades de ganhos com a sinergia dos sistemas no curto prazo.

Sob essa perspectiva, a Renner não teria muito a ganhar com grandes migrações tecnológicas no momento.

As coisas estão indo bem, depois de tudo. A varejista de moda teve lucro líquido de R$ 50,9 milhões no primeiro trimestre, alta de 135,6% em relação ao ganho apurado no mesmo período do ano passado.

O resultado, que superou a projeção de analistas consultados pelo Valor Econômico, foi puxado pela assertividade das coleções de outono e inverno e pela diluição de gastos fixos, disse Laurence Beltrão, diretor financeiro da empresa.

A receita líquida avançou 12,6%, para R$ 938,6 milhões. Nas lojas abertas há mais de um ano - "mesmas lojas" - as vendas subiram 5,4% na comparação anual.