Todas essas chamadas de vídeo estão gerando stress.

Você se sente cansado, depois de um dia inteiro de videochamadas de trabalho, encerrado mais uma happy hour com amigos, também no celular? Quem não.

O site BBC Worklife falou com especialistas, descobrindo alguns motivos porque isso é assim. O resumo é: falar por uma chamada de vídeo demanda muito mais atenção e gera muito mais stress do que uma conversa ao vivo.

Numa chamada de vídeo, os participantes precisam se esforçar muito mais para desvendar pistas não verbais como expressões faciais, tom de voz e linguagem corporal, pistas que dão o subtexto de uma conversa normal.

“Nossas mentes estão juntas enquanto nossos corpos sentem que não. Essa dissonância causa as pessoas a terem sentimentos conflituosos e é exaustiva”, explica Gianpiero Petriglieri, um professor da Insead que pesquisa sobre ambiente de trabalho.  

Numa conversa ao vivo, o silêncio cria um ritmo natural de conversa. Numa videochamada, o participante pode se preocupar se o software está funcionando, ou pensar se o outro lado está menos focado no diálogo.

Outro fator é que ser filmado aumenta a nossa percepção de estar sendo observado e por consequência, aumenta a demanda interna por ter melhor desempenho. É difícil para as pessoas não olhar o próprio rosto se ele aparece numa tela, ou não agir diferente na frente de uma câmera.

Por último, está a sensação de estar sendo forçado a fazer algo por circunstâncias fora do nosso controle, como uma pandemia mundial, e de que toda a vida social (trabalho, família, amigos) está acontecendo no mesmo lugar, privando as pessoas do contexto sobre como se comportar que um lugar físico oferece.

“A chamada de vídeo é um lembrete do que nós perdemos temporariamente. Imagine se você fosse num bar e encontrasse lá seus pais, seus professores e a sua namorada. Não é estranho? É isso que nós estamos fazendo agora”, resume Petriglieri.