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BTG quer emprestar para startups

05/05/2021 11:06

Alvo são empresas com receitas recorrentes. Valores ficam entre R$ 200 mil e R$ 4 milhões.

BTG quer oferecer capital de giro. Foto: Pexels.

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O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimentos no país, está de olho em startups e companhias de tecnologia com modelos de receitas recorrentes mensais e que já tenham recebido aporte de fundos.

Os valores oferecidos ficam entre R$ 200 mil, o que está no nível de um aporte de investidor anjo ou aceleradora, chegando até R$ 4 milhões, o que equivale a uma boa rodada inicial de um fundo.

O prazo é de até 18 meses e a carência de até seis meses. A ideia é oferecer capital de giro. A taxa de juros o BTG não abriu, é supresa para quem fizer o processo de seleção, totalmente online.

“Nosso objetivo com esse novo produto é aumentar o leque de opções para essas startups se financiarem e continuarem seu crescimento, postergando novas rodadas de investimento e, sendo assim, menos diluitiva para os acionistas atuais”, explica Frederico Pompeu, sócio do BTG que é responsável pelo BoostLAB, a divisão focada em tecnologia.

O BTG Pactual já tem um programa de investimento em startups de maior porte, já na sexta edição, já com 40 participantes.  Entre as startups já investidas estão nomes como Neurotech, Bxblue, Nexoos, Stilingue, Rock Content, A55 e Ahgora.

Em 2020, as startups brasileiras captaram cerca de R$ 18,1 bilhões, segundo o estudo Inside Venture Capital Brasil, uma alta de 17% frente ao ano anterior, configurando o melhor ano da história do setor.

Como Pompeu bem apontou, todo esse dinheiro entra nas startups em trocas de participações, com o qual a cada nova rodada, os donos são menos donos da empresa (e ganham menos em uma eventual grande venda final).

Assim, tem aumentado o número de startups dispostas a se endividar para crescer.

Nesta semana, o Baguete trouxe o caso da Plugify, uma startup brasileira de aluguel de hardware, que captou R$ 32,6 milhões em debêntures para financiar a sua expansão.

Uma debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, pelo qual uma empresa pode captar recursos no mercado de diferentes investidores.

“Esse recurso é mais barato do que capital de risco e evita diluição. Inclusive tem sido uma tendência entre as startups nos Estados Unidos e está começando no Brasil”, explica o CEO da Plugify, Alexandre Gotthilf.

Para a Plugify, a conta fecha porque, na prática, o que a empresa faz é fazer um empréstimo aos seus próprios clientes, na forma de equipamento, o que transforma essas máquinas em um ativo contra o qual se pode pedir um empréstimo.

A proposta do BTG também cria um ativo, na forma das receitas estimadas para as empresas de SaaS, muitas das quais tem bases crescentes com pouca rotatividade.

Entre uma invenção e outra, o volume de capital sendo emprestado para startups só aumenta. 

De acordo com Pitchbook, de 2010 a 2020 o número de captações de venture debt, o que inclui as debêntures, cresceu 3,1 vezes enquanto o de venture capital cresceu 2,2 vezes.

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