Amazon na mira do governo francês. Foto: divulgação.

Para dar uma força às suas livrarias independentes, a França pretende entrar em guerra com a Amazon e sua competitiva política de preços.

Segundo destaca a agência EFE, a ministra de Cultura da França, Aurélie Filippetti, destacou em entrevista nesta quarta-feira, 05, um plano a favor aos estabelecimentos locais.

Entre as medidas de apoio, Filippetti revelou que "medidas muito fortes" estão em preparação contra a varejista norte-americana. Segundo os livreiros franceses, a presença da Amazon é uma concorrência desleal.

Na França, para evitar a concorrência desleal entre as pequenas e grandes livrarias, foi criada em 1981 uma política de tabelamento de preços para livros, regulação que é driblada pela Amazon.

Para a ministra, "é preciso respeitar o preço único do livro", respeitando as livrarias independentes, que compõem entre 2,5 mil a 3 mil pontos de venda e 13 mil empregos. Conforme Fillippetti, o faturamento destes estabelecimentos caiu 8% entre 2003 e 2012.

"Todo mundo está farto da Amazon", disparou a ministra francesa, citando o efeito que a Amazon causou nos Estados Unidos, onde as vendas online contribuíram para o fechamento de 10 mil postos de emprego em livrarias físicas.

O governo francês está investindo pesado para valorizar seu varejo de livros. Na segunda-feira, 03, foi liberada uma verba suplementar de € 2 milhões para o Centro Nacional do Livro (CNL), em complemento aos € 9 milhões de euros anunciados em março.

PAÍSES CONTRA AMAZON

Não é só a França que está complicando com a Amazon e sua massiva presença online e no varejo. No Brasil, o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) entrou em rota de colisão com a empresa pela disputa do domínio ".amazon" na web.

O CGI publicou na última semana uma resolução de contestação à solicitação do domínio pela gigante varejista, que pediu o registro junto à ICANN, inclusive em suas versões em japonês e chinês.

A investida da Amazon, cujo nome foi inspirado pelo Rio Amazonas, acompanha o movimento da ICANN, que pretende liberar uma ampla expansão no ramo de domínios na internet.

A empresa de Jeff Bezos também registrou pedido por nomes como ".song", ".shop", ".kindle", entre outros. No entanto, a menina dos olhos é o domínio que remete ao próprio nome da companhia.

Para o comitê nacional, o processo de solicitação de novos domínios deveria restringir o uso de nomes referentes a regiões geográficas sejam permitidos sem a permissão de seus respectivos governos.