Compras com cartão superam as com dinheiro. Foto: flickr.com/photos/sheroxyourworld.

Um estudo feito pela Boanerges & Cia, consultoria em varejo financeiro, revela o dinheiro não é mais a forma preferida dos brasileiros para fazer compras e pagar suas contas. Assim como os cheques, ele também foi superado pelos meios eletrônicos de pagamento (MEP).

O trabalho demonstra que, em 2013, os meios eletrônicos de pagamento movimentaram cerca de R$ 1,1 trilhão nas suas várias modalidades, em sua maioria cartões - de crédito, débito, loja, rede e pré-pagos, além de celulares. 

Este montante representa 37% do total dos gastos feitos pelas famílias brasileiras, que alcançou o valor de R$ 3 trilhões no ano passado, segundo o IBGE. 

Com esta participação, os cartões e celulares, pela primeira vez na história, foram mais usados do que o dinheiro, que no mesmo período registrou 36% do volume total.

A expectativa é que, em 2018, os meios eletrônicos sejam responsáveis por 50% de todas as compras dos brasileiros.

“O uso dos telefones celulares como instrumento de pagamento deve acelerar a chegada dos sistemas eletrônicos em mercados ainda dominados pelo dinheiro” diz o presidente da Boanerges & Cia, Boanerges Ramos Freire.

A superação dos cheques pelos cartões ocorreu há quase uma década, no final de 2004 e início de 2005. Já a ultrapassagem do dinheiro pelos meios eletrônicos era considerada um marco mais distante da realidade ou até mesmo quase inalcançável pela maioria dos especialistas brasileiros.

Freir explica que a avaliação da liderança distanciada do dinheiro se baseava em conceitos diferentes dos utilizados pelos principais órgãos que estudam o assunto nos EUA e na Europa.

Consultorias como a The Nilson Report, por exemplo, utilizam um critério que considera que uma parte do consumo das famílias é feito através de meios “não monetários”. 

Estes gastos se referem a iniciativas que não passam por uma relação comercial, como o plantio, pesca e caça para consumo próprio, fornecimento de cesta básica de empresas para funcionários e programas de governo que proveem bens (remédios, alimentos, etc) às pessoas, entre outras. 

“Em 2013, estes gastos não monetários foram responsáveis por 15% do consumo das famílias no Brasil, segundo estimativas a partir de dados do IBGE. Até o momento este percentual era considerado como gastos feitos com dinheiro. Desta forma, este percentual era somado aos 36% que efetivamente correspondem ao uso de moedas e notas. Por isso, os 51% de dinheiro eram considerados distantes para os meios eletrônicos”, explica.