Keerti Melkote. Foto: divulgação.

Durante o HP Discover, evento realizado pela HP esta semana em Las Vegas, outro assunto badalado - além da separação da empresa - foi o da integração da Aruba Networks, empresa especializada em redes wireless, ao portfólio da multinacional.

Adquirida em março por cerca de R$ 2,7 bilhões, a Aruba representou a maior compra da HP desde a Autonomy, em 2010, malfadado negócio de US$ 10,3 bilhões que manchou o currículo de aquisições da empresa.

Entretanto, com a Aruba, a HP quer expandir suas capacidades no mercado de mobilidade e redes Wi-Fi, complementando sua divisão de network, que representa uma parcela pequena dentro do quadro geral da multinacional, mas que ganha confiança dentro da estratégia corporativa da futura Hewlett-Packard Enterprise.

Atualmente, a divisão de redes da HP ainda é pequena perto dos negócios totais da empresa. Segundo os resultados do primeiro trimestre, este setor contabilizou US$ 562 milhões, dentro de um total de US$ 26,8 bilhões.

Para Keerti Melkote, CTO e co-fundador da Aruba ao lado do CEO Dominic Orr, a Aruba será o veículo para a HP entrar no mercado de WLAN, batendo de frente com a gigante Cisco, que abocanha cerca de 48% deste bolo.

"Temos uma grande expertise com pequenos e médios negócios nos Estados Unidos, onde concorremos com nomes como Extreme e Aerohive. Agora vamos escalar nossa presença", afirmou o executivo.

A fatia da HP atualmente não passa dos 5%, mas deve ser reforçada com a chegada da nova aquisição, que tem 11,5% do share, em um cenário onde muitas empresas e instituições estão optando pelo uso de wireless e ambientes de cloud.

Conforme dados do IDC, o segmento de wireless para clientes corporativos registra anualmente um crescimento na casa dos 7,5%, um percentual que a Aruba estima que pode crescer ainda mais.

De acordo com o CTO, ao fazer parte de uma empresa maior como a HP aumenta o "poder de fogo" da Aruba, aproveitando desde a integração com outros projetos da divisão de redes da HP, assim como os ganhos em capilaridade de vendas.

"Queremos ganhar terreno em contas globais, onde a presença da Cisco é maior. Também aproveitaremos para expandir nosso alcance geográfico para mercados como Ásia, Europa e América Latina", destacou Melkote.

Para Alfredo Yepez, VP da HP Enterprise Group na América Latina, a aquisição da Aruba era o que faltava compor um portfólio completo para a entrega qualitativa de ambientes de rede.

"A aquisição é um exemplo de como investimos em soluções para entregar soluções corporativas de rede na ponta, onde o consumidor final pode sentir nitidamente os efeitos", afirmou Yepez.

Para o executivo, o portfólio da Aruba tem potencial para atrair segmentos como público, saúde, educação, indústrias, até mesmo ambientes de alta densidade, como estádios e aeroportos.

Segundo Ricardo Brognoli, VP do Enterprise Group da HP no Brasil, quatro estádios que fizeram parte dos doze participantes da Copa de 2014 usaram estrutura da HP para suas redes, um experimento que mostrou como a empresa está preparada e focada para competir neste segmento.

"São projetos de altíssima complexidade, devido ao seu alto consumo e necessidade de inteligência. Nosso plano é levar nosso portfólio de rede a diferentes verticais, em todo tipo de escala", finalizou Brognoli.

*Leandro Souza viajou para o HP Discover, em Las Vegas, a convite da HP.