Pena que a tendência é fazer notes menores. Alguém imagina um note de Itu? Foto: flickr.com/photos/kerolic/

A Lenovo vai investir US$ 30 milhões na construção de uma fábrica e um centro de distribuição na cidade de Itu, a 100 km de São Paulo.

De acordo com a empresa, a unidade produzirá uma linha completa de desktops e notebooks para os públicos privado e corporativo.

A companhia afirma que pretende dobrar o volume de negócios no país, hoje o terceiro maior mercado de PCs do mundo. A operação substituirá os acordos de manufatura terceirizada mantidos com a Flextronics e a Compal.

As novas instalações terão 325 mil metros quadrados e, segundo a companhia, entrarão em operação até dezembro de 2012.

A previsão da Lenovo é de que até 700 funcionários serão admitidos quando a unidade alcançar a capacidade máxima de produção, o que está previsto para acontecer dentro de dois anos.

A fabricante afirma que com a operação local poderá fortalecer a sua competitividade em preços, ao mesmo tempo em que minimizará o tempo de entrega dos produtos.

Os chineses não mencionam valores, mas estimativas de mercado apontam que a produção local, com a consequente adesão aos incentivos fiscais do governo federal, pode reduzir os preços em até 30%.

Em um negócio com margens pequenas, os impostos brasileiros fazem toda diferença, como explicou em maio no Wall Street Journal, o executivo da empresa responsável pela Ásia e pela América Latina, Milko Van Duijl.

"Quando você tem que somar impostos ao custo no negócio de PCs, onde as margens são muito pequenas, não há a menor chance de sucesso", declarou Duijl.

De acordo com a empresa de pesquisa Gartner, no primeiro trimestre de 2012 a Lenovo detinha 13,1% do mercado global. A HP é a líder, com 17,2%.

No ano fiscal 2012, encerrado em maio, a Lenovo registrou uma receita global de US$ 29,6 bilhões, com alta de 37% em 12 meses.

As vendas de PCs em nível mundial devem crescer 4,4% em 2012, atingindo 368 milhões de unidades.

FIM DA TEMPORADA DE COMPRAS?
O início de uma operação local pode significar também o fim das tentativas de entrada no mercado nacional por meio de aquisições.

Rumores de intenções de compra de fabricantes brasileiros pela Lenovo tem surgido ciclicamente nos últimos anos.

O último foi relacionado com a CCE, ainda em março. A imprensa chegou a falar em “negociações avançadas” e uma avaliação em cerca de R$ 1 bilhão, mas não houve novidades desde então.

Uma oferta chegou a ser feita para a Positivo em 2008, mas os paranaenses não aceitaram a proposta.