Antonio Valente. Foto: Baguete Diário

A cobertura em 3G da Vivo – que chega a 2.832 municípios nessa sexta-feira, 06 – deve dar uma mãozinha para a implementação da nova geração da telefonia móvel, o 4G, que custou R$ 1,05 bilhão à operadora no leilão das frequências de 20 MHz pela Anatel em junho.

Além do preço pago à batida do martelo, o governo calcula gastos de R$ 3 bilhões ao ano com as novas antenas.

Segundo Antonio Valente, presidente da Telefônica/Vivo, com exceção de dois estados brasileiros – Amapá e Roraima –, toda a rede já está a “meio caminho”, tecnologicamente falando, do 4G.

“Temos toda a nossa rede com 3G+. E implementar o 4G é muito mais simples quando já se tem o 3G”, explica o executivo.

FORNECEDORES EM AGOSTO
Os R$ 3 bilhões calculados pelo governo não são confirmados pelo presidente da empresa – Valente não detalhou quanto será o investimento em 4G daqui para a frente.

Sabe-se, porém, que os gastos começam em breve.

Em agosto, o contrato com a Anatel deve ser assinado, abrindo o período de busca por fornecedores.

Dentro dos termos de incentivo do governo estão linhas de financiamento para a compra de componentes com produção local, através do BNDES.

Enquanto isso, fabricantes como Nokia Siemens anunciam produção no Brasil, de olho na demanda.

ACOMPANHANDO O RITMO
A princípio, a Vivo dará a largada no projeto com investimentos próprios, apesar da pressa no governo.

Uma pesquisa recente divulgada pela Europraxis indica o Brasil como o país que mais rapidamente migrou da tecnologia 3G para a 4G – com cinco anos de intervalo – sequer dando tempo às operadoras de rentabilizar.

Os dados dão razão às teles – inclusive a Vivo –, que pediram o adiamento do leilão a fim de investir mais na tecnologia 3G.

Sem dar ouvidos à reivindicação, o governo manteve os prazos.

De olho nas metas, a Vivo,já previa os gastos com o leilão e a implementação, diz Valente.

Sem detalhar quanto do total será destinado à nova tecnologia, o presidente indica que os aportes novos estão dentro dos R$ 24,3 bilhões prometidos à presidente Dilma Rousseff para o período de 2011 a 2014 no país.

O valor é 50% superior aos R$ 16 bilhões do quinquênio anterior.

“Não vamos mexer nesses planos”, reafirma Valente.

Dentro das metas do governo, as empresas deverão implementar 4G nas cidades-sede da Copa das Confederações até 30 de abril de 2013 e, nas sedes e subsedes da Copa do Mundo, até 31 de dezembro de 2013.

Além disso, a Vivo terá o compromisso de conectar áreas rurais em regiões como o nordeste, interior de São Paulo e Minas Gerais.

NA CARONA DO 3G
É aí que a cobertura do 3G deve ajudar.

Com as quase 3 mil cidades cobertas – algumas delas com pouco mais de 2 mil habitantes – a Vivo chega a mais municípios que todos os seus concorrentes juntos.

A meta com prazo de 14 meses, anunciada no final de 2010, quando a empresa cobria apenas 600 cidades brasileiras, não foi fácil.

Tsunamis no Japão que afetaram a cadeia de fornecedores, carência de mão de obra e até inundações interferiram nos planos, que até o final de 2012 estava a 89% do total.

“Acontece com metas ambiciosas, não podemos é desistir”, diz Valente.

Das 2.831 cidades hoje conectadas, 734 ficam na região Sul. No Paraná, onde será instalada a antena de número 2.832 nessa sexta, a Vivo chega a 82% da população com seu sinal. A operadora é a segunda maior do estado.

No Brasil, no entanto, a empresa é a líder em participação de mercado, com 29,3% dos acessos.

* Guilherme Neves viajou a Londrina a convite da Vivo.