Danielle Gomes de Oliveira fala no Fisl.

Que o setor de tecnologia é um Clube do Bolinha, é um fato que você pode confirmar olhando ao seu redor no escritório agora mesmo. De acordo com uma pesquisa feita pelo banco de currículos Apinfo, as mulheres correspondem por 13% do mercado de TI no Brasil.

Este número já seria baixo sozinho, mas comparado com o fato de que o público feminino representa quase 44% da força de trabalho total brasileira e as mulheres já são maioria em algumas profissões – jornalismo, por exemplo - ele fica ainda menor.

Muitos acreditam que o baixo número de mulheres na área de TI tem a ver com uma suposta inclinação inata masculina para as abstrações matemáticas,  trabalho introversivo e competitivo da área de exatas.

Para o grupo Mulheres da Tecnologia (MNT), uma iniciativa online fundada em 2012 visando promover a participação ativa das mulheres no mercado de TI, o problema tem muito mais a ver com maneira com a qual essa suposta superioridade masculina fomenta preconceitos e estereótipos que afugentam as mulheres do setor e fazem o progresso na carreira ser mais difícil para as que entram.

“Muitas vezes, as pessoas respondem à sua experiência e não à realidade do momento. Pequenas coisas - como uma piada - podem se tornar um filtro, que pode se propagar e se tornar uma verdade velada”, analisa Danielle Gomes de Oliveira, programadora e integrante da iniciativa que esteve falando no Fisl, em Porto Alegre, nesta quinta-feira, 04.

Uma pesquisa realizada pelo próprio MNT, com cerca de 130 entrevistados online, mostrou que 72,4% acreditam que o preconceito com profissionais do sexo feminino existe na TI, embora eles não sejam preconceituosos.

Dos entrevistados, 14,96% admitiram que tentam controlar suas atitudes para não serem machistas.

"Ao longo dos anos, se tem esta concepção que mulheres não entendem tanto de ciências exatas como os homens, e isto se traduz em preconceito. É desencorajador", afirma Danielle.

Para Danielle, a mudança para este cenário parte tanto das mulheres, para se encorajar e investir na carreira, quanto dos homens, para combater atitudes preconceituosas - as dos outros e as próprias.

“Vale lembrar que a primeira programadora da história foi uma mulher”, dispara Danielle, lembrando a britânica Ada Lovelace, primeira pessoa a escrever um algoritmo produzido em uma máquina, em 1842.

INICIATIVAS
Conforme destaca Danielle, empresas de tecnologia estão investindo para incentivar a participação feminina em suas fileiras. Entre as empresas com programas especiais de recrutamento estão multinacionais como HP e Microsoft.

Outro exemplo é o da Thoughtworks, multinacional de desenvolvimento de software com operações em Porto Alegre, São Paulo e Recife, que pretende fechar o ano com 20% de mulheres na sua área técnica.

A meta representa um salto de cinco pontos percentuais sobre os 15% existentes hoje e mais um passo na busca da meta global de ter uma equipe dividida meio a meio entre os sexos. A companhia tem 170 funcionários no Brasil.

Globalmente, a meta é chegar a 50% e só foi alcançada até o momento na Austrália. A empresa enfatiza que não estabelece critérios diferentes para os sexos ou tenta atrair profissionais com salários acima da média de mercado, apenas se esforça mais por buscar currículos de mulheres e em criar um ambiente favorável no trabalho.

"Admiro o trabalho que empresas como a Thoughworks fazem, de promover o respeito às diferenças. Até mesmo os homens que trabalham lá precisam se adaptar a um ambiente diferente", afirma Danielle.

Fundado em 2012, o MNT conta com cerca de 300 integrantes, em todo o país, com participações em workshops e eventos de tecnologia, convidando e motivando mulheres a participar do mercado de TI.