Alunos do Go Code. Foto: divulgação / RBS.

O Grupo RBS e Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho vão oferecer um curso de Java de quatro meses em um total de 96 horas para 13 estudantes da rede municipal de ensino de Porto Alegre.

Os participantes do Go Code foram escolhidos entre 38 inscrições vindas das escolas municipais Liberato Salzano Vieira da Cunha e Emílio Meyer, duas das instituições de ponta da cidade.

As aulas serão ministradas por funcionários voluntários da RBS na sede do grupo. Os participantes do curso ganham alimentação e auxílio transporte, além de certificado para incorporar o currículo, e um notebook, para os que possuírem 75% de frequência no curso e entregarem o projeto final. 

Na nota que divulgou o programa, a RBS não revelou valores, mais detalhes sobre o equipamento ou se há planos para contratar alguns dos alunos.

“O Go Code quer estimular os jovens e ajudar a criar novos talentos. Acreditamos que ao aprenderem essa nova linguagem da programação eles podem mudar a realidade. As grandes coisas começam assim, com pequenas iniciativas”, afirma o vice-presidente de Pessoas e Tecnologia do Grupo RBS, Deli Matsuo.

O programa e o próprio Matsuo (antes de vir para a RBS o executivo era diretor de RH do Google para a América Latina) são um sinal da virada estratégica em curso na organização, na qual, anos atrás, provavelmente ações desse tipo teriam como mote algo na linha “repórter mirim”.

No começo do mês, a RBS confirmou a demissão de 130 profissionais como parte de uma modificação na estratégia de negócios do grupo visando aproveitar melhor as oportunidades do meio digital.

O corte foi focado principalmente nos jornais do grupo (má hora para ser um repórter mirim, eu diria). Ao mesmo tempo, a empresa informou, sem abrir números, que dobrou as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicou os investimentos nesta área. 

O centro no parque tecnológico da PUC-RS, em Porto Alegre, focado em soluções digitais os produtos da RBS, em especial para os jornais, tem expectativa de chegar ao final do ano com 100 colaboradores.

Além das suas próprias áreas digitais, a RBS deve fechar o ano com participação em 16 empresas de tecnologia por meio da eBricks, fundo de investimento em empresas de internet do grupo sediado em São Paulo. Uma das mais conhecidas é a Wine.com.br.

Matsuo não é o único alto executivo com background de tecnologia na operação. A empresa bancou a vinda de executivos de mercado como Fabio Bruggioni, ex-vice-presidente do Grupo Telefônica, hoje à frente do eBricks e Nelson Mattos, vice-presidente de Produtos e Engenharia da Google para Europa e Mercados Emergentes para o conselho de administração

Estratégia de negócios à parte, é uma boa notícia para o setor de TI do Rio Grande do Sul que jovens da rede de ensino municipal tenham acesso a formação técnica em informática. 

É uma medida tão importante que as próprias empresas do segmento já tentaram uma iniciativa similar, inclusive nas mesmas duas escolas nas quais a RBS selecionou os seus alunos. 

O projeto das empresas de TI gaúchas, capitaneadas pelo Assespro-RS, era, aliás, bem mais ambiciosa que a da RBS. 

Para a primeira turma, em 2007, foram selecionados 40 alunos em cada uma das instituições, para um programa de 720 horas de formação durante dois semestres incluindo HTML, Java Script, PHP, Java, banco de dados e programação orientada a objetos.

O problema constatado foi que, oferecendo os cursos de maneira extra-curricular, os alunos não poderiam ser testado pelas empresas em contratos de estágio. 

A estratégia adotada foi formar professores já contratados pela rede pública de ensino, ao longo de um ano e incluir o curso na grade curricular das instituições.

Os professores foram capacitados (o então vereador Newton Braga Rosa chegou a obter uma dotação de R$ 153 mil no orçamento de 2008 para o programa), mas, segundo a reportagem do Baguete pode apurar, o programa ficou trancado na burocracia da Secretaria de Educação, situação que ficou agravada com as subsequentes trocas de administração.

Hoje, o programa está no fundo de uma gaveta e não deve sair de lá até alguém começar a ter ideias do tipo 5S na prefeitura. É uma pena. Boa sorte para a RBS.