Susana Kakuta. Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini

Susana Kakuta, atual secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia, será a nova CEO do Tecnosinos, parque tecnológico da Unisinos sediado em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com o Jornal do Comércio, Susana assume o cargo em 02 de janeiro de 2019, no lugar de Luís Felipe Maldaner, que segue como professor do mestrado profissional em Gestão e Negócios da Unisinos. 

Susana esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento, nos últimos meses do governo José Ivo Sartori (PMDB), derrotado nas últimas eleições pelo ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite (PSDB).

Durante a maior parte do governo Sartori, Susana foi presidente do Badesul, banco de fomento do estado (liderando uma diretoria que incluía o ex-líder da Comunidade Nin Jitsu, Mano Changes).

Susana já trabalhou na Unisinos no passado, incluindo um período entre 2009 e 2015 quando o parque tecnológico passou por modificações profundas de governança e deu um salto de qualidade.

Na época, Susana foi contratada para liderar a então unidade de Inovação e Tecnologia da Unisinos, a incubadora da universidade, além de ser gestora executiva do Polo de Informática para Parque Tecnológico São Leopoldo.

O Polo era um arranjo entre prefeitura, universidade e empresas instaladas no local desde o começo dos anos 2000 que administrava o parque até então. 

Na época, a Unisinos estava empenhada em atrair grandes investimentos, como o centro de suporte e desenvolvimento da SAP, inaugurado em 2009, e o modelo de governança estava começando a dar sinais de desgaste.

Em um processo não isento de uma dose de conflito, Susana comandou a criação de um modelo com mais poderes para a Unisinos, nos moldes do parque tecnológico da PUC-RS, o Tecnopuc.

Além de ampliações consecutivas do espaço da SAP, o novo modelo resultou em grandes investimentos como a HT Micron, uma joint-venture de semicondutores liderada pela Altus em parceria com a sul-coreana Hana Micron.

A Unisinos investiu pesado do seu lado, construindo a fábrica na qual a HT Micron veio se instalar e apostando no desenvolvimento de pesquisas no campo de semicondutores.

No total, o parque passou de 23 empresas e 600 empregos para 75 empresas e 6 mil empregos. Atualmente, são 108 players nacionais e internacionais, um faturamento de mais de R$ 645 milhões.

A HT Micron foi festejada como um case de sucesso da política industrial dos governos petistas, que tinha no fomento do setor de semicondutores no país um dos seus pontos chave. Dilma Rousseff esteve na inauguração.

De uns tempos para cá, no entanto, os sinais não são lá muito bons. A HT Micron tem tido uma atuação muito discreta: as últimas notícias da empresa são que o lado coreano estava assumindo a liderança. A Altus, líder do lado brasileiro, sentiu o impacto da crise.

O Tecnosinos, que por um tempo chegou a disputar o protagonismo na cena de parques tecnológicos gaúchos com o Tecnopuc, não teve grandes anúncios nos últimos anos (excluindo a SAP, que segue ampliando sua presença).

A Unisinos, por sua parte, está apostando pesado em uma nova operação em Porto Alegre, que eventualmente pode vir a incluir uma presença local do Tecnosinos.

Isso acontece em um cenário no qual Unisinos, PUC-RS e UFRGS se mobilizam conjuntamente em um acordo sem precedentes para dar um salto de qualidade no cenário de inovação e empreendedorismo na capital gaúcha, junto com a nata do empresariado gaúcho.

As universidades parecem estar bem alinhadas no discurso e institucionalmente engajadas a nível de reitoria na iniciativa. Porém, um projeto desses não se faz sem uma boa dose de disputa de bastidores, e, no final das contas, PUC-RS e Unisinos são concorrentes.

Certamente, a Unisinos pode se beneficiar do estilo enérgico de Susana Kakuta.

AGORA VOU CONTAR UMA HISTÓRIA

Eu não costumo fazer isso, mas acho que a ocasião permite uma história de bastidores. Em 2009, eu participava como repórter da delegação gaúcha na Cebit, super feira alemã do setor de tecnologia, que, aliás, foi encerrada na semana passada.

A Susana também estava lá, representando a CaixaRS, versão anterior do Badesul. Por uma daquelas coisas que aconteciam no governo Yeda Crusius (PSDB), ela ficou sabendo pelos jornais que havia sido demitida em Porto Alegre (talvez seja o motivo dela não participar da administração tucana agora?)

A notícia foi o bafafá da delegação gaúcha no dia. Para o dia seguinte, estava prevista uma viagem de Hannover para Dusseldorf (aquela mesma, do vampiro de Dusseldorf), para uma reunião na subsecretaria de energia do ministério de sei lá o que.

A excursão era um fria integral. Dusseldorf fica a exatos 299 quilômetros de Hannover. Umas dez pessoas iam numa van que parecia uma dessas que se usavam para vender cachorro quente. Chovia, as autobahns estavam engarrafadas.   

Não sei vocês, mas se eu tivesse sido demitido pelo jornal no dia anterior, provavelmente eu teria cancelado minha participação na reunião, acordado mais tarde, tomado três chopes no almoço e encomendado uma sessão de vudu para Yeda Crusius.

A Susana não só foi, como dominou a reunião e deixou inclusive alguns encaminhamentos feitos para o Márcio Biolchi, na ocasião o superior dela no governo gaúcho e que estava bem perdido.

Foi uma demonstração de profissionalismo que eu nunca esqueci.