Essas crianças... Foto: reprodução.

A HP não perdeu tempo para destilar seu veneno contra o fechamento de capital da Dell. Poucas horas após o anúncio da compra das ações, a fabricante norte americana soltou um comunicado para cutucar a operação da empresa de Michael Dell.

Segundo informa o TechReport, a HP aproveitou a instabilidade sofrida pelo mercado após o anúncio do acordo de US$ 24,4 bilhões - o maior do mercado norte-americano desde a crise de 2008 - para dar aquela provocada.

A compra da Dell foi anunciada nesta terça-feira, em uma transação que envolveu um empréstimo do fundo Silver Lake e aporte de US$ 2 bilhões da Microsoft.

Conforme a opinião da concorrente, a Dell enfrentará "um grande período de transição e incertezas que não será bom para os consumidores”. Além disso, a HP acredita que a capacidade de investimento e inovação será reduzida.

“Uma aquisição acionária tende a frear a inovação e o foco nos consumidores”, analisa a companhia, após falar dos problemas e da "dívida significativa" da Dell.

Além disso, a HP cita o período turbulento da Dell como uma boa oportunidade para crescer ainda mais no mercado. O último levantamento do Gartner apontou em 2012 um aumento de 12,6% nas unidades produzidas pela HP, em relação a 2011, enquanto a Dell caiu 16,5%.

"Acreditamos que os clientes da Dell estarão dispostos a buscar novas alternativas e a HP está atenta a esta oportunidade”, disparou.

ANÁLISE

À parte da bravata da HP, outros analistas dizem que o fechamento do capital da Dell pode trazer benefícios à companhia no no médio e longo prazo.

Sem a necessidade de prestar contas de seus resultados aos acionistas, a fabricante terá mais liberdade de ousar em sua estratégia de negócios.

“Estar em Wall Street é necessário para financiamento, mas é também uma rota fácil para virar uma empresa rígida e pouco ágil”, analisa Fernando Belfort, líder de pesquisa e consultoria da Frost & Sullivan para a América Latina, em entrevista ao CRN Brasil.

Na visão de Belfort, não há um impacto latente do anúncio da fabricante para ser pontuado no curto prazo.

“O que podemos esperar daqui para frente são algumas mudanças e talvez a empresa vire mais ousada em suas decisões. Terá um espaço que não tinha antes”, finaliza.

RINGUE
A alfinetada na Dell entra no roll de atitudes competitivas da HP nas últimas duas semanas.

Em 30 de janeiro, a companhia anunciou a fabricação no Brasil de mais três modelos de servidores de missão crítica, com o que promete preços em média 20% mais baixos do que as máquinas importadas, em uma manobra para injetar competitividade à marca frente a concorrentes como IBM.

“Certamente a fabricação local desta linha nos garante mais competitividade no mercado de missão crítica”, afirmou o diretor de Vendas de Servidores de Missão Crítica da HP no Brasil, Marcos Gaspar.