Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa. Foto: Divulgação.

Por Percival Jatobá*
A música sempre fez parte da minha vida. Meu primeiro emprego foi em uma loja de discos no Centro de São Paulo nos anos 80. Foi uma experiência incrível, principalmente porque estávamos vivendo uma época revolucionária dos movimentos musicais e culturais. 

O punk rock, nascido em meados da década de 70 quase que simultaneamente nas garagens do Reino Unido e EUA, haviam pavimentado esse caminho em todo o mundo. Com ele, surgia também uma geração com desejo de inovar e fugir de padrões tradicionais. 

O tempo passou, segui novos caminhos, cheguei no mundo corporativo e da tecnologia, mas nunca deixei a paixão pela música de lado. E hoje, vejo que a inovação e o punk rock possuem correlações interessantes.

Quando pensamos que as grandes novidades da revolução digital começaram a surgir também em pequenas garagens, com idéias lideradas por uma geração de jovens que tinham em seu DNA o desejo de fazer algo novo e disruptivo, vemos que o paralelo é real. Então percebemos que a disrupção pode estar nos detalhes que fazem a diferença, como quando os Ramones adicionaram três acordes e criaram grandes clássicos do movimento, assim como toda uma nova estética na moda foi criada não a partir das grandes grifes mas da criatividade dos usuários. 

Assim como o punk rock não foi um movimento apenas musical, as empresas são mais do que companhias. São ideais que impactam diariamente os comportamentos e lançam tendências.

O punk tirou o processo criativo da letargia e da zona de conforto e provocou o mercado a ser mais inovador, mas isso não seria possível se a inovação não fosse aberta desde aqueles tempos. Mesmo que para fazer música, era necessário um diferencial, uma atitude, um “Faça você mesmo” coletivo e colaborativo. Assim como os jovens que se uniram nas garagens e fizeram suas próprias empresas, que vieram com novas propostas e provocaram uma ruptura em todo o mercado.

As empresas estão criando suas próprias garagens - seus centros de inovação. E estão descobrindo, o exercício da cocriação, buscando ser constantes precursores da disrupção. Assim como a junção de acordes que revolucionaram uma década, as APIs (interfaces de programação de aplicativos) oferecem diversas possibilidades, junto aos parceiros e desenvolvedores, de unir “acordes” tecnológicos que podem resolver desafios e criar inúmeras soluções.

E para garantir que outras pessoas com espírito inovador recebam o apoio necessário, vemos também o fortalecimento das aceleradoras, incubadoras, investidores-anjo, venture capital e várias outras formas de incentivo ao empreendedorismo e à esse ecossistema. As inovações estão chegando para desburocratizar velhos processos e melhorar a vida das pessoas.

Com os avanços da tecnologia, a criação de grandes centros de inovação e investimentos em várias frentes, estamos caminhando de forma muito rápida em diversos setores. Seja com as fintechs, que revolucionaram os serviços financeiros, ou com aplicativos, que ampliam as experiências dos consumidores. Esses são alguns exemplos que estão deixando o mundo cada vez mais dinâmico, digital e transformador.

O punk rock e o movimento de inovação tecnológica que tomou conta do mercado possuem em comum o incentivo de fazer o diferente. São liderados por gerações empreendedoras e por entusiastas que saíram de suas zonas de conforto em busca de novos caminhos e tendências. A inovação vem de qualquer lugar, é um movimento colaborativo e sem volta. Certo estava o The Clash quando gritava....”We're a garage band! We come from garageland!”

*Percival Jatobá é vice-presidente de produtos da Visa.