Grevistas da Dataprev em Rio Grande do Norte. Foto: Divulgação.

Os funcionários da Dataprev decidiram suspender uma greve que parou a estatal de TI em nível nacional nas duas últimas semanas.

A decisão é consequência da mediação realizada na véspera pelo Tribunal Superior do Trabalho. 

A Dataprev suspendeu as 493 demissões anunciadas por conta do fechamento de 20 regionais, anunciado pela empresa no começo do ano. Por seu lado, os funcionários suspendem a paralisação por 15 dias, prorrogáveis por mais 15. 

A Dataprev quer fechar as operações no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

De acordo com a estatal, as filiais afetadas geram receitas de menos de R$ 2,5 milhões ao ano, para gastos anuais de R$ 93 milhões. 

As demissões representam 15% do total de empregados da empresa.

Ficariam ativas apenas sete unidades da Dataprev, localizadas no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a estatal tem data centers e no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, onde estão instalados centros de desenvolvimento. 

Além do centro de dados, o Rio de Janeiro também tem um centro de desenvolvimento. 

As demissões seriam feitas por meio de um programa que oferecerá pacotes de até R$ 300 mil, considerando verbas rescisórias e incentivos de desligamento. 

Com o programa, a expectativa é de uma redução anual de R$ 93 milhões na folha de pagamento e gastos operacionais da Dataprev com payback em 7,6 meses.

Um eventual acordo entre funcionários e direção pode vir por uma diminuição no número de fechamentos e de demissões, ou por um aumento dos pacotes. 

Muito possivelmente, no entanto, será uma decisão temporária.

Isso porque a Dataprev, assim como o Serpro, devem ser vendidas em junho de 2021 e os novos donos terão suas próprias ideias sobre o número correto de filiais, provavelmente no sentido de enxugar a quantidade.

A meta foi revelada pelo secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, durante um evento para investidores realizado em São Paulo na semana passada.

Um desdobramento político recente em Brasília deu mais influência para a ala mais privatista do governo.

O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) deixou a Casa Civil, onde estava sob a responsabilidade do ministro Onyx Lorenzoni, e será coordenado pelo Ministério da Economia, liderado por Paulo Guedes.

A decisão significa que as decisões sobre as vendas passam a estar sob supervisão direta de Guedes e Mattar, que vem insistindo na necessidade de privatizações desde o começo do governo. 

Até agora, a greve na Dataprev era a única reação mais significativa em sentido contrário aos planos de venda.