PERSONALIDADE

Profissional Drywall: será que você é ou convive com um?

06/05/2019 11:36

Eles são rígidas, não mudam, são duras em suas posições, ainda que erradas e vivem presas em sua arrogância.

Paulo Sérgio Buhrer é palestrante, consultor e empresário. Foto: Divulgação.

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Por Paulo César Buhrer*
As estruturas de drywall são rígidas, compostas por perfis de aço, parafusadas em chapas de gesso, cujo interior é oco, e servem para separar ambientes. Mas, o que isso tem a ver com os profissionais do mercado?

Se você analisar com calma, o conceito de drywall se aplica com maestria a muitos profissionais do mundo corporativo, bem como a muitas pessoas com as quais convivemos. Elas são rígidas, não mudam, são duras em suas posições, ainda que erradas, e vivem presas em sua arrogância, soberba, comodismo, visão distorcida, e servem, assim como um drywall, para segregar famílias e equipes, distanciar a motivação, o entusiasmo, a harmonia produtiva dos ambientes, além de espantarem, com isso, os clientes.

Certo dia, treinando um vendedor, falei a ele para abordar de maneira diferente um cliente, com o qual já havia tentado marcar uma entrevista sem sucesso. E ele me responde: “Não vai dar certo, já usei o meu melhor método, e não consegui sucesso”. Carinhosamente, repliquei: “Então vamos tentar o meu melhor método, depois comparamos”. Com um acordo entre nós, iniciamos a nova abordagem.

Tratava-se da venda de imóveis na planta. Sugeri ao vendedor que descobrisse o hobby do cliente que gostaria de visitar, e logo verificamos que ele adorava pescaria. Encomendamos uma isca artificial profissional e a levamos até a secretária do potencial cliente, com um cartão-presente de uma boa cachaçaria local. No envelope também continha outro cartão, com o seguinte texto: “pescaria é um momento prazeroso, o hobby de um verdadeiro campeão. Por isso, antes de você ir para sua próxima pescaria, que tal ir com sua família comemorar o sucesso, as vitórias, na cachaçaria XYZ? Mais tarde, se sentir-se confortável, me chama para eu lhe mostrar um superinvestimento que você pescará comigo”.

O vendedor foi chamado no dia seguinte ao recebimento do presente.

Nunca se precisou tanto de profissionais flexíveis, que saibam lidar com os mais diversos tipos de problemas, que não travem no momento em que as empresas mais precisam deles, que busquem alternativas, que mudem de posicionamento quando perceberem suas falhas, ou falhas nos seus métodos e rotinas, que saibam se relacionar, construir equipes altamente eficazes, abertas às mudanças, inovações, tecnologias.

Não cabe mais, na imensa maioria dos modelos de negócios, pessoas que tenham meramente uma aparência externa atrativa, com diplomas e mais diplomas, ou experiências que serviram antigamente, porém, que hoje não trazem mais resultados. Não se pode mais aceitar profissionais que sejam, no seu interior, ocos de humildade, proatividade, sem visão inovadora e tradicional ao mesmo tempo. O mundo clama por pessoas competitivas, porém, colaborativas, que pensem globalmente, cuja visão vá além do que está evidente.

No entanto, quanto mais o mercado exige profissionais dinâmicos, gentis, capazes de trabalhar em grupo, de aprenderem a desaprender para aprender de um jeito novo, mais surgem os drywall, querendo desunir. São vazios por dentro, não mudam, não aceitam opiniões e pensam só em si mesmos.

Querem a todo custo o sucesso profissional, contudo, não entendem que sucesso, na realidade, não tem nada a ver com trabalhar sozinho, fechado nos próprios processos que não servem mais, com pisar os outros, sufocar quem está do lado tentando ajudar ou não aceitar sugestões que podem aproximá-los das metas, meramente por seus egos inflados.

Não compreendem que sucesso, de verdade, só consegue quem evolui, muda, e ajuda o outro a fazer o mesmo, participando ativamente da conquista do sucesso dos seus pares, se relacionando inteligentemente com as pessoas. Abrindo espaço para que todos, por mérito, cresçam em conhecimento, conteúdo, performance, gerando melhores resultados para os negócios, consequentemente, para suas carreiras.

Se você está começando sua vida profissional, não inicie ela com conceitos equivocados de sucesso profissional, não se aconselhe com os drywall, pois estará com uma carreira natimorta.

Se você já está algum tempo no mercado, e ainda não conquistou o sucesso que gostaria, talvez precise rever seus conceitos e descobrir o que realmente é sucesso. Será que está convivendo demais com profissionais drywall? Observe se não está agindo como um: rígido, inflexível, oco por dentro, separando equipes e ambientes, pois o mundo corporativo implora por pessoas que tenham o perfil totalmente contrário a esse.

*Paulo Sérgio Buhrer é palestrante, consultor e empresário. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, tem pós-graduação em Gestão Empresarial e de Pessoas pela mesma instituição.

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