A fabricante Americana de próteses ortopédicas College Park está dando um passo adiante na crescente sofisticação no que antigamente era conhecido como "perna de pau" ao incluir software embarcado nos seus produtos.

Com lançamento comercial previsto para este ano, o chamado iPecs (Intelligent Prosthetic Endo-Skeletal Component System) é um aparelho embutido nas próteses que permite registrar dados sobre as experiências dos usuários em termos de pressão e maneiras de andar que permitirão ajustes personalizados nos equipamentos.

“Estamos trabalhando agora em uma interface gráfica para que a tecnologia não seja um entrave na relação com os pacientes e os médicos possam tirar o máximo proveito”, explica Michael Leydet, diretor de pesquisa da College Park que esteve mostrando a tecnologia da empresa no Planet PTC em Orlando nesta quarta-feira, 06.

O iPec, premiado no ano passado em um concurso de design da NASA, hoje é usado apenas em laboratórios de pesquisa médica para melhorar as próteses. A ideia agora, diz Leydet, é colocar o produto no mercado para que usuários individuais possam se beneficiar.

“Vamos vender a tecnologia para qualquer fabricante de próteses interessado. Acredito que o iPec pode significar um avanço para o setor como um todo”, avalia o pesquisador.

O caso da College Park foi um dos mais chamativos na série de clientes que a PTC trouxe ao evento para ilustrar a importância crescente na área de manufatura do gerenciamento do software embarcado em produtos de todo tipo.

Clientes como a fornecedora de peças para a indústria automobilística Continental já têm cinco engenheiros de software para cada engenheiro mecânico e pesquisas apontam que para mais de 80% das empresas o software embarcado está crescendo em volume, importância e inovação.

O gerenciamento do ciclo de vida essas aplicações (ALM, na sigla em inglês), que possuem um ciclo diferente do desenvolvimento do hardware no qual estão embutidas, é um dos focos da PTC, que com esse objetivo adquiriu no ano passado a canadense MKS por US$ 300 milhões para complementar sua oferta.

PROTÉSICA EM PAUTA
Prostética é um assunto que costuma figurar na pauta das conferências das grandes fabricantes de CAD nos Estados Unidos – a College Park usa soluções da PTC para fazer o design e a gestão dos seus produtos.

A razão tem a ver não só com o fato de que é um campo no qual as melhorias de engenharia têm um impacto visível na vida de pessoas, mas também porque nos últimos anos as próteses têm se tornado um fato mais visível na vida cotidiana e no noticiário do país.

Segundos dados de uma ONG ligada à prevenção da diabete, hoje vivem nos EUA 1,7 milhão de amputados. Das 65 mil operações do gênero realizadas por ano, 82% são pela perda de membros causada pela diabete.

Mas é nos 22% relacionados à amputação traumática de membros, especialmente em soldados vítimas nas guerras no Iraque e Afeganistão, que a atenção pública tem se centrado.

O ano passado, o número de 240 soldados com amputações de braços ou pernas, marcou o recorde histórico de incidentes desse tipo desde o início da mobilização militar pós 11 de setembro, apontam dados do Pentágono.

A maior cifra anterior era de 205 soldados feridos, em 2007, logo após a invasão do Iraque.

Os números têm a ver com as características dos conflitos – muito soldados são vítimas de atentados a bomba praticados por insurgentes – assim como com os avanços da medicina: muitos casos que hoje resultam em amputações seriam mortes em conflitos anteriores.

Não é incomum que as apresentações de executivos de empresas do ramo de prostética tenham em algum momento uma nota patriótica.

“É uma satisfação para nós ser capazes de proporcionar uma vida melhor a pessoas que se sacrificaram pelo nosso país”, comenta Leydet.

* Maurício Renner cobre o Planet PTC em Orlando à convite da PTC.