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Maurício Gomes da Cunha, integrante da Procuradoria Geral de Porto Alegre, assumiu a presidência interina da Procempa.

Ele entra no lugar de André Imar Kulczynski, que renunciou ao cargo na quarta-feira, 05. Também se demitiu o diretor Técnico da companhia, Zilmino Tartari.

O anúncio de Cunha como interino foi feito nesta quinta, 06, pelo prefeito José Fortunati, que apresentou os resultados da inspeção feita na Procempa para verificar denúncias de irregularidades.

Conforme Fortunati, a empresa municipal de processamento de dados não seguiu apontamentos de auditorias anteriores e pagou empresas sem processo de contratação ou com notas xerocadas.

Além disso, eventos podem ter sido superfaturados, segundo o prefeito.

Para sanar as irregularidades, a prefeitura prometeu aperfeiçoar os controles internos, especialmente na contratação de serviços, e instalar sindicâncias para apurar as responsabilidades.

Há outras conclusões da comissão, conforme Fortunati. Estas serão entregues diretamente ao Ministério Público, que se encarregará da condução futura do processo e providências cabíveis.

ENTENDA O CASO
A crise que culminou na renúncia de Kulczynski e Tartari iniciou em 24 de maio de 2013, quando o jornal Zero Hora publicou uma notícia informando sobre irregularidades no plano odontológico oferecido aos colaboradores da Procempa. 
 
Haveria falhas na declaração de dependentes do plano, que incluiria não apenas filhos e cônjuges, mas também sogros, sobrinhos, netos e pais de empregados.
 
Kulkzynski alegou que a indicação de dependência pelos próprios funcionários, com benefício de fé pública, foi acertada em acordo coletivo com o sindicato da categoria, e que a Procempa havia detectado, em 2011, um desequilíbrio no plano, o que foi investigado e culminou na suspensão de autorizações de atendimento e em um pedido de recadastramento de dependentes.
 
Conforme Zero Hora, os gastos com o plano odontológico, só com procedimentos especiais, como implantes e aparelhos ortodônticos, saltou de R$ 657 mil em 2010 para R$ 1,4 milhão em 2011.
 
Kulczynski admitiu a disparidade financeira, mas afirmou que em 2012 isto já havia sido sanado, voltando aos patamares de 2010.
 
No que vai de 2013, a Procempa não liberou mais de R$ 20 mil para o plano, conforme o ex-presidente.
 
Nesta quarta-feira, 05, Zero Hora publicou um novo fato sobre o caso, indicando pagamentos feitos diretamente a uma clínica odontológica, mas por meio da conta de funcionários.
 
Um destes casos envolve uma dependente de José Mauro dos Santos Peixoto, integrante do Conselho de Administração da Procempa e chefe do Gabinete Executivo do prefeito José Fortunati.
 
Conforme o jornal, em setembro do ano passado, a Procempa depositou na conta bancária de Peixoto R$ 32,1 mil para que ele quitasse serviços odontológicos prestados por uma clínica.
 
Outra que teria recebido pagamento do serviço odontológico em sua conta bancária foi a diretora administrativa da Procempa, Giorgia Ferreira.
 
Conforme ZH, ela recebeu R$ 25,1 mil por serviços ortodônticos prestados a familiares.
 
As denúncia do jornal também abrangeram a contratação de serviços pela Procempa, como a sonorização de um evento, que teria sido paga diretamente a um fornecedor, parente de uma então funcionária da companhia.