É possível levar a infraestrutura de fibra óptica a um quinto dos domicílios brasileiros em cinco anos, ao custo de R$ 9,13 bilhões. A expansão da rede para 12,5 milhões de residências seria feita por pequenos e médios provedores, que têm mais facilidade de acesso a determinadas regiões não interessantes economicamente às grandes operadoras. A conclusão é de estudo da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

A Abrint fez o levantamento, divulgado pelo Valor, interessada em estimular a expansão da infraestrutura de fibra óptica e dos acessos a banda larga por meio dos pequenos e médios provedores. Mas para que o país chegue aos números projetados, reafirma a necessidade de facilitar o acesso das empresas a financiamentos de longo prazo.

Hoje, pequenos e médios provedores têm dificuldades para oferecer garantias exigidas para a liberação de empréstimos. Em 2013, essas empresas investiram R$ 1 bilhão, a maioria com recursos próprios.

A postura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é afirmar que já possui instrumentos para financiar o segmento, seja via Cartão BNDES, Finame - que passou recentemente a incluir fibra óptica entre os itens financiáveis - e as próprias linhas do banco, com apoio direto ou indireto.

Um ex-funcionário do BNDES disse que o grande problema é o tamanho do empréstimo que pequenos e médios provedores pedem ao banco, muito superiores ao seu tamanho. Depende do governo, então, a solução para ajudar o setor, afirmou.

A proposta da Abrint está alinhada com as últimas declarações do ministro de Comunicações, Paulo Bernardo, para quem a falta de infraestrutura de rede é um dos grandes limitadores ao crescimento da conexão de banda larga no país. 

Em evento recente, Bernardo disse que quer levar fibra óptica a 95% dos municípios até 2020. O objetivo sinalizado pelo ministro é até maior do que o proposto pela Abrint. Segundo Bernardo, o tema tem sido discutido pelo governo.

O vice-presidente do conselho da Abrint, Erich Rodrigues, se mostrou satisfeito com a movimentação do ministro e sugere que a expansão seja realizada pelo mercado. 

Ele apresentou dados do estudo ao ministério e aguarda para saber quais serão as iniciativas do governo para ajudar o setor antes de optar pela entrega formal do estudo.

O mercado de provedores de pequeno e médio porte tem mais de 1,7 mil empresas, que atuam em cerca de 2,7 mil municípios brasileiros - metade do total existente. 

O número de acessos a fixos a internet cresce 10% ao ano. O estudo limitou a viabilidade econômica da expansão da infraestrutura de rede por pequenos e médios provedores a cidades com tamanho inferior a 100 mil habitantes.

A Unotel Telecom, fornecedora de soluções de comunicação com atuação nacional, é uma das empresas que está de olho nos provedores locais de internet, e deve unir isso ao lançamento de sua  TV por assinatura, a iON.

O fautramento da Unotel em 2013 foi de R$ 20 milhões. Atualmente, a companhia tem em sua carteira cerca de 150 provedores locais usando a sua rede e todos devem aderir ao iON. No Rio Grande do Sul, 45 cidades são cobertas pela rede da empresa.

Com a nova oferta, o plano é firmar parcerias com provedores locais, agregando a iON aos pacotes de internet destas companhias menores. Segundo Débora Pinto, diretora de marketing da Unotel, a oferta trará mais competitividade a estes players regionais.

"Queremos chegar a 300 clientes até o final do ano. O foco é atuar de forma agressiva em cidades do interior. A ideia é que nosso produto se expanda do interior para o centro dos estados", detalha a diretora.