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PRIVATIZA NADA

Assembleia mata privatização no RS

Maurício Renner
// quarta, 06/06/2018 07:33

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, por 29 votos a 23, votou por impedir que a privatização da CEEE, CRM e Sulgás seja votada em um plebiscito a ser realizado em conjunto com as próximas eleições estaduais em outubro.

Sindicalistas tiram foto do telão da Assembleia. Foto: Marcelo Bertani | Agência ALRS

A votação em si foi sobre um projeto que reduziria de 150 para 90 dias o prazo mínimo para autorização de plebiscito sobre a venda de estatais, uma medida sem a qual a realização do plebiscito agora se torna impossível.

É a segunda derrota consecutiva do governador José Ivo Sartori (MDB) nesse tema. Em 2016, o governo havia tentado, sem sucesso, retirar da Constituição estadual a exigência de consulta aos eleitores para privatizações, introduzida durante o governo Olívio Dutra (PT)

Essa ocasião é especialmente amarga porque partidos até pouco tempo integravam a gestão Sartori como PSDB e PTB não só votaram contra, como impediram o governo de tirar a pauta do quorum para evitar a derrota.

Privatizações como uma forma de gerar caixa e reduzir os custos do governo foram discutidas durante todo o governo Sartori, que enfrenta uma crise financeira e não paga os salários do funcionalismo em dia quase desde o começo.

A movimentação efetiva nesse sentido foi fraca. No final de 2016, o governo Sartori aprovou a extinção de algumas fundações estaduais, resultando em cerca de 2 mil demissões de funcionários públicos, o que gerou semanas de protestos.

A decisão do PSDB, dos quais três dos quatros deputados votaram contra o plebiscito, é a que mais chama atenção, uma vez que Eduardo Leite, potencial candidato a governador pelo partido, tem entre suas bandeiras privatizações e parcerias público privadas.

Provavelmente, Leite não quis sofrer o desgaste de aprovar o plebiscito para ajudar Sartori em uma potencial reeleição, um quadro que aliás, é bem difícil de se concretizar. 

O Rio Grande do Sul nunca reelegeu um governador, ou mesmo dois governadores do mesmo partido consecutivamente. 

Maurício Renner