Taxistas deram as costas para o debate. Foto: Câmara de Vereadores.

O Uber saiu por cima da audiência pública estilo Grenal realizada pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre no ginásio Gigantinho nesta terça-feira, 05.

O aplicativo trouxe quase tanto público para o evento quanto os taxistas (525 contra 715, segundo a contagem oficial), apesar das condições adversas para o seu lado, comprovadas pela agressão de um dos motoristas do Uber na saída do local.

Os números são mais chamativos se temos em conta que a capital gaúcha tem 3.920 táxis em circulação, com 10 mil motoristas credenciados a operá-los.

Não há dados oficiais sobre o número de motoristas de Uber na cidade.

Em nível nacional, a companhia fala em 10 mil em 13 cidades. Fontes ouvidas pelo Baguete falam em 1 mil motoristas em Porto Alegre.

A organização do evento certamente esperava mais público. O Gigantinho estava preparado para receber 5 mil pessoas, divididos meio a meio em lados opostos e com forte esquema de segurança.

Mais do que o volume de público nas arquibancadas, o que conta a favor do campo pró-Uber é ter aceito em linhas gerais a necessidade de regulamentação do serviço em alguns termos, enquanto os taxistas seguem empenhados em banir o aplicativo da cidade.

Representantes de sindicatos de taxistas se sucederam nos microfones com discursos inflamados contra o “entreguismo” a uma “multinacional estrangeira” e citações variadas a Sepé Tiarajú, Leonel Brizola e à letra do hino do Rio Grande do Sul.

A postura é encorajada pela proibição do aplicativo em Porto Alegre, aprovada no final do ano passado pela Câmara por 22 votos favoráveis e nove contrários (depois vetada pelo prefeito José Fortunati) e pela retórica inflamada do seu propositor, o vereador Cláudio Janta (SD).

Mas a realidade é enquanto Janta pode colher benefícios políticos por ser o paladino dos taxistas (o político já tem uma base de apoio entre os rodoviários), o restante dos vereadores deve calcular que não vale a pena se arriscar num ano eleitoral proibindo um app popular.

Uma prova disso é que defenderam o lado do Uber não só os interessados diretamente, mas também representantes da sociedade civil como o assessor jurídico da Assespro-RS, Ricardo Gomes e o vice presidente do Instituto Liberal, Fábio Ostermann.

Estiveram no local também pessoas ligadas ao Partido Novo e ao PSL, partidos políticos de orientação econômica liberal, além do Movimento Brasil Livre, tornando o Uber uma espécie de bandeira contra os excessos de regulamentação governamental.

Daqui para frente, com o projeto de lei da prefeitura de volta para a Câmara de Vereadores, a discussão deve ser sobre alguns pontos polêmicos do projeto da prefeitura, que podem afetar a quantidade de carros do Uber na rua.

A mais determinante delas é a necessidade dos veículos do Uber serem emplacados com placas vermelhas e identificados externamente.

Outras exigências, como o pagamento de uma taxa mensal de R$ 180 e o compartilhamento de dados de localização também representam empecilhos que o aplicativo deve tentar combater.