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Dados revolucionam internet industrial

Júlia Merker
// sexta, 06/07/2018 14:25

Apesar de muitas vezes ser vista como uma mudança radical para a forma de produção e fabricação de produtos, a internet industrial é, em sua maior parte, uma evolução dos processos já realizados há anos.

José Rizzo, presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) e CEO da Pollux. Foto: Divulgação/Seprorgs.

A visão, com uma dosagem menor de hype do que a média na área de tecnologia, é de José Rizzo, presidente da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) e CEO da Pollux, que esteve em Porto Alegre falando no Mesas de TI do Seprorgs.

“Muitas das tecnologias envolvidas neste tema, como robótica e impressão 3D, já são trabalhadas na indústria há muito tempo. Há grande novidade está na parte de dados, que permite uma nova atuação com conceitos como IoT, analytics e inteligência artificial”, reforça Rizzo.

O termo internet industrial diz justamente respeito a esse novo tipo de manufatura com um uso pesado de sensores dentro da chamada Internet das Coisas, mas também produção automatizada e análise de grandes volumes de dados na nuvem.

Em sua palestra, Rizzo exemplificou o assunto ao mostrar o primeiro braço robótico utilizado pela indústria, lançado em 1961.

“A aparência, por exemplo, não é muito diferente dos robôs que vemos hoje, que evoluíram na capacidade de atuar junto com as pessoas, como os robôs colaborativos”, detalha.

Da mesma forma, a impressão 3D vem avançando desde 1984, quando o norte-americano Chuck Hull criou um equipamento utilizando estereolitografia, tecnologia precursora da impressão 3D. 

“A evolução desses equipamentos e o crescimento de soluções em nuvem tem deixado a tecnologia cada vez mais acessível, com plataformas e sensores cada vez mais baratos. Com isso, a tecnologia passa a não ser mais uma vantagem competitiva, pois está muito disponível. O que pode mudar uma empresa são os novos modelos de negócios que ela propicia”, acrescenta Rizzo.

Os fatores que a ABII aponta como fundamentais para a criação de novos modelos para o mundo digital são produtos e serviços mais personalizados, economia do compartilhamento, precificação por uso, ecossistema unido, além de velocidade e agilidade para criar e reinventar ideias.

“Além disso, é preciso realmente aplicar a internet industrial e unir as áreas de tecnologia da informação (TI) e tecnologia de operações (TO) dentro das empresas”, completa.

Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) é uma entidade criada pela Pollux junto com a federação de indústrias catarinense e a Embraco, uma fabricante de compressores para refrigeração também sediada em Joinville.

A criação da entidade foi inspirada no consórcio internacional (Consórcio de Internet Industrial - IIC) criado em 2014 nos Estados Unidos pela AT&T, IBM, GE e Intel, no qual a Pollux é uma das duas representantes brasileiras.

No final do ano passado, a associação se tornou parte do Industrial Internet Consortium (IIC), organização mundial de players de tecnologia pela promoção de padrões de Internet Industrial que inspirou a criação da entidade brasileira.

“Estando a frente da ABII, me preocupo com a inércia do Brasil no tema. Participo das reuniões do IIC há três anos e sou sempre o único brasileiro”, declara Rizzo.

A associação brasileira conta hoje com 50 empresas participantes.

A Pollux é sediada em Joinville e lançou no começo do ano passado a Pollux Digital, uma unidade de negócios focada em projetos de internet industrial.

Júlia Merker