Ainda longe da sua empresa.

Apesar do grande interesse (hype?) que ronda a computação vestível, os níveis de adoção de tecnologias que compõem o conceito no corporativo ainda é bastante baixo. 

Uma pesquisa da Tech Pro Research resume o cenário: sim, os wearables já são bastante conhecidos; sim, há alguns planos de adoção por parte das empresas; sim, ainda há muitas dúvidas sobre como utilizar o conceito no ambiente empresarial.

Por enquanto, parece haver curiosidade sobre o tema. O percentual de respondentes (204 pessoas preencheram o questionário) que “vem acompanhando o tema, mas ainda não experimentaram essas tecnologias” (50%), somado ao dos “que tem procurado extensivamente informações a respeito dos wearables e tiveram algum tipo de contato” (36%) dá dimensão do interesse quanto ao conceito.

Agora um dado interessante e algo desanimador para quem pensa em explorar isso como negócio: 64% dos participantes da pesquisa afirmaram não ter interesse ou planos em desenvolver algum projeto com esse conceito. 

Outros 25% disseram ter de partir para uma estratégia envolvendo tecnologias vestíveis, mas não definiram orçamento para isso; enquanto 11% já começou a trabalhar com o conceito.

Um estudo realizado pela Juniper, provedora de tecnologias de infraestrutura, estima que os gastos globais com wearables chegarão a US$ 19 bilhões em 2018. 

Muita gente fala a respeito do assunto quanto ao uso pessoal. Ao longo dos últimos meses, o mercado viu uma avalanche de novos dispositivos, dos mais variados tipos, chegarem ao consumidor.

Maurício Vianna, CIO do CPqD comprou um smartwatch durante uma viagem, em março, e desde então, diz não tirar o aparelho do pulso. 

O executivo, no caso, adquiriu o dispositivo para fins pessoais. Na loja virtual, baixou alguns aplicativos que lhe facilitam atividades diárias, como alguns alertas, sincronização de agendas e leitura de e-mails. Sua visão com relação a utilização a tecnologia, de certa maneira, com o resultado da pesquisa.

“O conceito ainda é novo, mas eu aposto nele”, diz, vislumbrando possibilidade de que esses aparelhos embarguem, por exemplo, aplicações com aviso de atingimento de metas, cumprimento de etapas ou tarefas para gestão de projetos, sedentarismo (já que tem acelerômetro e pode funcionar como pedômetro), proximidade de final de SLA para pessoal de atendimento, “enfim, dá pra imaginar muita coisa para se fazer com ele”.

Não há, contudo, previsão ou ideia de algum projeto envolvendo wearables dentro do CPqD no radar do executivo. “Ainda está cedo. Pela empatia que tive, ao experimentar, daria para crescer e talvez dentro de um tempo testar um projeto piloto. Mas ainda não chegamos nesse ponto ainda”, classifica.

A vertical de saúde figura como a indústria com mais ações envolvendo o conceito. 54% dos respondentes desse setor disseram ou utilizar ou estarem em processo de adoção de algum tipo de tecnologia vestível. Empresas de serviços, de TI e de educação também demonstraram interesse no conceito.

A maioria dos que revelaram não haver interesse na tecnologia atribui isso ao fato de não haver necessidades de negócio; outro grupo disse não ter certeza sobre o valor trazido à sua atividade, bem como preocupações de segurança e privacidade.

“Ainda faltam casos”, corrobora Vianna, que até procurou referências e não encontrou muita coisa sobre o assunto. Mas o conceito tende a ganhar corpo a medida que grandes fabricantes de TI chamam desenvolvedores para explorarem essa plataforma.

Recentemente, a salesforce.com disponibilizou um pacote de desenvolvimento para estimular a criação de aplicações corporativas para esses dispositivos. 

Ainda, e há um pouco mais de tempo, o Google abriu a venda de seu Glass para o público norte-americano. No Brasil, há Totvs já revelou experiências com o óculos. 

Pelo resultado da pesquisa, as organizações ainda necessitam mais informações sobre benefícios e aplicabilidade para esse tipo de tecnologia antes de incluí-la em suas estratégias de tecnologia. 

Melhorar questões relativas à segurança, por exemplo, parece um ponto a ser trabalhado pelos fornecedores, bem como demonstrar como esses dispositivos podem, de fato, serem úteis para melhorar a produtividade no ambiente corporativo.

Outros dois fatores talvez devessem ser considerados com relação ao cenário pintado no resultado da pesquisa. O primeiro é a postura mais pé no chão do mercado corporativo na adoção de tecnologias ainda não provadas eficientes.

O segundo ponto trata da própria aposta dos fabricantes na criação de wearables, que aparentemente mira o mercado de consumo. Agora, se esse for o caso, os CIOs talvez devessem prestar mais atenção no conceito, pois, como vimos as últimas revoluções começaram nas mãos dos usuários. 

Logo, gestor de TI, não faça cara de surpresa se o CEO de sua empresa, em um futuro próximo, chegar na sua mesa e pedir para conectar um Google Glass na rede corporativa ou querer acessar a conta de e-mail em um Samsung Gear.