Brasil teme por segurança do satélite. Foto: divulgação.

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A movimentação brasileira para conquistar o espaço, com um programa que prevê o lançamento de três satélites estacionários de uso militar e de comunicação nos próximos 13 anos, pode não ter a garantia de segurança de dados e operações que o governo brasileiro espera.

O coronel Edwin Pinheiro da Costa, chefe da seção de Telemática do Ministério da Defesa e responsável pelo Sistema de Comunicações Militares (Siscomis), declarou na quinta-feira, 06, que existe uma preocupação com uma possível espionagem internacional no satélite brasileiro, já que boa parte dos equipamentos envolvidos na sua operação do sistema serão importados.

De acordo com o oficial, o medo é de que peças como roteadores importados possam ter uma porta de saída permitindo que terceiros tenham acesso a informações sigilosas. A informação é do Valor.

"Nos preocupa porque não temos a indústria nacional ainda em condições de dar suporte com equipamentos", afirmou o coronel.

Segundo Costa, o receio quanto à segurança não abrange o tráfego de dados militares, que contam com tecnologias de criptografia e transmissão fechada.

A preocupação é maior em relação aos dados de internet e telefonia, já que o satélite cobrirá 2,3 mil municípios com acesso à internet em alta velocidade, dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

As principais fornecedora de equipamentos de comunicação, como roteadores, são a norte-americana Cisco e a chinesa Huawei, companhias que ainda não contam com operações nacionais, o que seria o ideal, conforme explica Costa.

"Uma empresa nacional que faça uma integração para nós é o ideal, melhor do que importar esse material", disse o militar.

O custo do projeto do satélite está estimado em cerca de R$ 1,1 bilhão, entre fabricação, lançamento e seguros. Os equipamentos serão operados pelas Forças Armadas e Telebras, e as estações devem ser construídas a partir do ano que vem.

A fabricação será firmada em dois contratos, um da Telebras , por meio da Visiona - joint venture da estatal com a Embraer - e outro da Visiona com as fornecedoras. O plano é assinar o documento até o final deste mês.

O satélite será fabricado pela franco-italiana Thales, com garantia de transferência de tecnologia, e lançado pelo consórcio europeu Arianespace.

Depois do primeiro satélite em 2016, o governo espera lançar um segundo satélite em 2022 e outro em 2026.

GOVERNO

O temor pela segurança dos dados não se restringe aos satélites. Depois do escândalo de vazamento de informações envolvendo a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigal em inglês) dos Estados Unidos, até a presidente Dilma Rousseff se manifestou.

A presidente quer tornar obrigatório a armazenagem de dados de usuários brasileiros em data centers dentro do país como uma das regras do Marco Civil da Internet, cuja discussão está emperrada há anos.

De acordo com informações da Agência Brasil, a presidente afirmou que o governo brasileiro não concorda com nenhuma interferência nas comunicações feita por qualquer país.

“Vamos dar uma revisada no Marco Civil da Internet, porque achamos que uma das questões que devem ser observadas é a do armazenamento dos dados. Muitas vezes, os dados são armazenados fora do Brasil, principalmente os dados do Google. Queremos prever a obrigatoriedade de armazenagem de dados de brasileiros no Brasil”, adiantou.