O Global Tecnopuc Experience discutiu processos de internacionalização. Foto: Camila Cunha – Ascom/PUCRS.

Com o dólar e o euro rondando superando os R$ 4, uma cotação que alguns economistas já apontam como o “novo normal”, somado a um cenário de recessão para pelos menos os próximos dois anos podem reativar o apetite do setor de TI brasileiro por exportações.

Agora, como conduzir um processo de internacionalização bem sucedido? Esse foi o tema do primeiro dia do Global Tecnopuc Experience, uma série de eventos visando abrir os trabalhos do Global Tecnopuc, novo prédio focado em inovação e colaboração construído pela PUCRS e HP no parque tecnológico gaúcho.

A primeira lição talvez seja um pouco frustrante para quem vê a exportar sua tecnologia como uma estratégia para escapar dos problemas imediatos do Brasil.

“Não dá para encarar internacionalizar uma empresa como uma corrida de 5km. É mais parecido com uma maratona, que exige treino e preparação prévia”, comenta Alexandre Steinbruch, coordenador de projetos de internacionalização da Anprotec.

Uma boa maneira de “treinar” são programas como o Land2Land, por meio do qual a Anprotec provê o que se chama de “soft landing”, com parcerias que oferecem uma entrada mais fácil por meio de parcerias em mercados de 12 países diferentes, incluindo Estados Unidos e Europa e também China, Índia e Coréia do Sul.

Parques tecnológicos também podem oferecer esse tipo de serviço, destaca Rafael Prikladnicki, diretor do Tecnopuc. Por meio de parcerias do parque, a desenvolvedora de software gaúcha Pandorga mantém uma operação em Londres há alguns anos.

No caminho reverso, o Tecnopuc também ajuda a trazer empresas para o país, como a ToughtWorks, multinacional de software que abriu sua primeira operação no Brasil em Porto Alegre, ainda 2009, na qual tem hoje 150 colaboradores. A empresa abriu ainda filiais em São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

“Nós ajudamos com uma série de aspectos como instalações temporárias, informações sobre médias salariais e até mesmo orientações sobre onde os executivos deveriam alugar imóveis”, resume Prikladnicki.

A PUCRS colocou internalização entre as prioridades do seu planejamento estratégico 2011-2015 e deve incluir novamente no projeto atualmente sendo elaborado para 2016-2022. O assunto é um dos chamados “pilares” do Global Tecnopuc, junto com coworking, criatividade e networking.

De acordo com Prikladnicki, um dos benefícios do novo prédio é oferecer mais espaço para empreendedores estrangeiros em programas de intercâmbio, o que abre espaço para troca de ideias, e, quem sabe, projetos internacionais desde o nascimento.

O local também será sede dos eventos Cultura de Inovação, no qual são feitas apresentações sobre o ambiente de negócios de tecnologia em diversos países. Já foram mais de 10 eventos do gênero. Os próximos acontecem no final de outubro, sobre a Suíça, e em dezembro, sobre a Alemanha.

Com 4 mil metros quadrados (um acréscimo de quase 10% na área construída total de 50 mil) foi construído com um investimento de R$ 17 milhões. Diferente de todos os outros prédios existentes no Tecnopuc, o novo espaço não abrigará empresas.

Estará dedicado a receber projetos temporários realizados entre os diferentes públicos que se relacionam com o Tecnopuc: empresários de grandes players mundiais, de startups e spin offs, alunos, professores, pesquisadores, além de representantes de instituições públicas e privadas.

Atualmente o Tecnopuc abriga 124 operações e reúne mais de 6,5 mil pessoas.  

Confira abaixo a matéria de Adriana Dall’Agnol da Comunicação da PUC-RS sobre a palestra abordando Internacionalização no Global Tecnopuc Experience.