Nau do Serpro está dando a volta muito rápido? Foto: Divulgação.

O Serpro, estatal de TI com 10 mil funcionários espalhados pelo país, anunciou planos para uma volta gradual do home office, com o objetivo de ter todos os funcionários trabalhando nos escritórios até o dezembro.

A primeira fase começou nesta segunda-feira, 05, com a volta de 30% dos empregados. 

O grupo é formado por pessoas fora dos grupos de riscos ou vulnerabilidades e a mudança não vale para o Rio de Janeiro.

No estado, onde o Serpro tem uma parte importante das suas operações, a estatal decidiu não voltar porque soube que haveria poderia haver uma decisão contrária da Justiça do Trabalho.

A volta de integrantes dos grupos classificados como vulnerabilidade e de risco está prevista, respectivamente, para novembro e dezembro.

“Todos passamos por essa pandemia, e ainda estamos passando, nós e o país tivemos muitos desafios. Mas, agora, o Brasil precisa retornar à vida, e está retornando, e o Serpro se insere neste movimento bem lento, gradual e seguro de retorno a suas atividades”, ressaltou o presidente do Serpro, Gileno Barreto.

As chefias no Serpro terão autonomia para definir os dias de retorno dentro do mês disponibilizado para cada grupo ou para determinar um retorno parcial, alguns dias por semana.

Outras medidas envolvem a desinfecção prévia e geral dos ambientes, acesso à empresa com aferição de temperatura e alteração na climatização de acordo com recomendações internacionais.

O atendimento presencial à população fica restrito apenas para emissão de certificação digital. Outras demandas seguem sendo atendidas de forma virtual.

Dentre as empresas que divulgaram planos em relação à prática de home office em função do coronavírus, o Serpro é até agora a mais ousada no sentido de promover o retorno.

Algumas empresas divulgaram planos de iniciar um retorno gradual. Na Infosys, por exemplo, vão voltar 25% dos cerca de 500 funcionários no Brasil.

O regresso do restante dos funcionários será definido de acordo com a evolução do número de infectados nos próximos meses.  Cautela é a tônica geral de quem divulgou que está voltando.

A maioria dos que fizeram divulgações nas últimas semanas, no entanto, se comprometeram a manter o home office para os funcionários até o final de 2020.

A lista inclui desde grandes empresas, como a CI&T, empresa de desenvolvimento de software com 2,3 mil funcionários; médias, como a Zenvia, companhia gaúcha de plataforma de comunicação e serviços móveis com 270 funcionários, além de uma grande quantidade de startups.

A AMcom, empresa de desenvolvimento de software sediada em Blumenau, avisou que vai manter 300 funcionários em home office até que esteja disponível uma vacina para o Covid-19.

Na semana passada, empresas como Rappi e iFood anunciaram ambas planos de manter os funcionários em casa até julho de 2021.

Algumas empresas inclusive estão aproveitando a deixa para fazer migrações permanentes para o home office.

Em termos percentuais, a mais ambiciosa entre elas é a BRQ, uma das maiores empresas de serviços de TI do país, vai transformar o home office na regra para os seus mais de 2,5 mil funcionários. 

Já a Stefanini divulgou um plano percentualmente menor, mas que envolve mais funcionários: a meta que metade do time trabalhe em home office num prazo de 12 a 18 meses, sendo 60% dessa equipe de maneira permanente e outros 40% de maneira parcial.

É uma mudança enorme para uma empresa que tem 25 mil funcionários (14 mil no Brasil) e tinha antes da crise uma prática mínima de home office, limitada a 120 profissionais na Europa.

Então, aparentemente o Serpro está navegando contra a maré. Mas isso pode ser mais um efeito das prioridades de comunicação diferentes da estatal em relação às empresas privadas.

Isso porque as empresas privadas que divulgam a prorrogação do seu home office ou mesmo uma migração para o modelo fazem questão de enviar notas divulgando a ação, que mostra adesão às novas tendências, capacidade de adaptação ao “novo normal” e por último, preocupação com a saúde dos funcionários.

(Os anúncios nem sempre significam uma decisão altamente embasada: em um caso, uma companhia de médio porte divulgou que estava migrando para o home office, para depois dizer que já não estava mais).

Dos que estão voltando, menos decidem divulgar o movimento e, quando o fazem, frisam a precaução com que estão tomando a medida, para não criar uma imagem de pouca preocupação pelos funcionários.

Já no Serpro, uma empresa pública cujos clientes são em maior parte órgãos do governo e os funcionários são servidores públicos, as prioridades de comunicação podem ser outras.

Talvez seja mais importante para as decisões e a comunicação delas no Serpro o alinhamento com a comunicação do governo federal como um todo, cuja linha é de retorno à normalidade e superação da crise do coronavírus.

NO GERAL

O número de pessoas ocupadas trabalhando de casa está caindo desde a segunda semana de julho.

Foi quando o IBGE registrou uma queda de 7,8% na comparação com a primeira semana do mês.

O número passou de 8,9 milhões para 8,2 milhões, com um total de 700 mil pessoas voltando para os seus escritórios. 

Foi a primeira queda registrada no número desde maio, quando a pandemia chegou com força no Brasil e o IBGE começou a coletar números.

No final de julho, a KPMG divulgou uma pesquisa com 700 empresários apontando que 21% pretendiam retornar ao trabalho nos escritórios (o que poderia ser chamado de “velho normal”) ainda em agosto.

A maior parte (35%) projetava a volta entre setembro e dezembro deste ano. Só 9,4% falavam de voltar em 2021.

Convém não exagerar a importância do assunto, de qualquer forma.  Apesar da bolha nas redes sociais dos leitores do Baguete provavelmente mostrar todo mundo trabalhando em casa, o home office é uma realidade para poucos.

De acordo com o IBGE, a população ocupada no Brasil é estimada em 81,1 milhões, e os trabalhadores em home office representam 11,6%.