Dennis Herszkowicz. Foto: divulgação.

A Linx, especializada em tecnologia de gestão para o varejo, parece ignorar a crise econômica do país.

No terceiro trimestre, a empresa teve uma receita operacional bruta de R$ 127,8 milhões, um crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Os resultados estão em linha com o trimestre passado e do ano de 2014, quando o crescimento também ficou na faixa dos 20%.

A receita operacional bruta é fruto da combinação da receita recorrente e de serviços, ambas mantendo a tendência de alta. No 3T15, a receita recorrente atingiu R$ 103,5 milhões, com crescimento de 26,2% sobre o 3T14, e equivalente a 81% da receita bruta. 

O EBITDA da empresa foi de R$ 31 milhões, 16,5% acima do valor obtido no mesmo período de 2014, e a margem EBITDA no 3T15 foi de 27,3%. O lucro caixa atingiu R$ 26,8 milhões, o que representa aumento de 5,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Os resultados da Linx são mais chamativos se postos em contraste com o desempenho do varejo brasileiro.

O comércio varejista do país fechou o mês de agosto com queda nas vendas de 0,9%, em relação a julho, elevando a retração acumulada nos primeiros oito meses do ano (janeiro-agosto) para 3%.

De acordo com dados do IBGE, a queda ano a ano em agosto chegou a 6,9%, naquele que foi o quinto mês consecutivo de retração.

Segundo as informações divulgadas, das 27 unidades da Federação, 23 apresentaram variações negativas no volume de vendas, em relação ao mês imediatamente anterior. 

De acordo com Dennis Herszkowicz, vice-presidente financeiro e de RI da Linx, este resultado demonstra a resiliência do modelo de negócios baseado em receitas recorrentes, “lock-in” com a base de clientes e diversificação de verticais, geografias e portfólio.

O executivo destaca que ao longo deste ano, o “cross-sell”, ou seja, a venda de ofertas complementares aos softwares de POS e ERP para clientes da base, vem ganhando importância.

“O Brasil é hoje um país com baixa adoção de tecnologia, sendo que os gastos com software representam apenas 0,2% do PIB, enquanto nos EUA este patamar é quase cinco vezes superior. Existe um grande espaço a explorar, já que o varejista sempre precisa de tecnologia adicional para ganhar mais eficiência e não perder vendas”, diz Herszkowicz.

O vice-presidente financeiro da Linx também destaca que existem segmentos que continuam apresentando oportunidades crescentes de expansão do negócio, como os de food service, postos de combustíveis e lojas de conveniência, farmácias e e-commerce.

A Linx, que nasceu focada no varejo de roupas, está bem posicionada para aproveitar essas oportunidades como resultado de uma grande campanha de aquisições nesses últimos anos: foram nada menos que 19 desde 2008, em ramos tão diferentes como lojas, farmácias e postos de gasolina.

As duas últimas, meses atrás, sinalizavam novos rumos. Foram compradas a catarinense Chaordic e a amazonense Neemu, duas companhias novas que são destaques no mercado brasileiro de  personalização para e-commerce.

As compras devem custar R$ 78,6 milhões à vista, mais R$ 32,8 milhões relacionados ao atingimento de metas de 2016 a 2018, totalizando R$ 111,4 milhões. 

Além das aquisições, a Linx está calçada por um grande empréstimo tomado em um momento estratégico. Antes do governo fechar as torneiras, em outubro de 2014, o BNDES aprovou a liberação de uma linha de crédito de R$ 102,8 milhões para a Linx. 

Os recursos foram liberados pelo Programa para Desenvolvimento da Indústria de Software e Serviços de Tecnologia da Informação.

A maior parcela, de R$ 98,6 milhões, era destinada para financiar o plano de investimentos da empresa, contemplando ações em infraestrutura, treinamento e qualidade, pesquisa e desenvolvimento, marketing e vendas.